Londrina não precisa nem de Zona Azul noturna e nem dos ''guardadores'' de carros, mas de um ordenamento que facilite o fluxo e o estacionamento de veículos em maior quantidade, e de segurança contra roubos. É fácil criar mais ônus para os cidadãos, como agora querem os defensores da cobrança também noturna da Zona Azul, um sistema que funciona durante o dia com o fim de ajudar os meninos carentes da Escola Profissional e Social do Menor, mais conhecida como Epesmel. Muitos já reclamam de ter de pagar durante o dia para estacionar, depois dos tantos encargos que incidem sobre o usuário de automóvel, mas como a causa é benemérita, acabam consentindo. Porém impor mais a obrigatoriedade ora pretendida já é sanha arrecadadora. Argumenta-se que muitos desses meninos cobradores da Zona Azul poderiam ter derivado para a marginalidade, pela sua origem pobre. E já que eles existem, seriam mais úteis se orientados também para cuidar dos veículos e não apenas cobrar. Alguns o fazem, mas esta não é a regra. Eles também não auxiliam o motorista nas manobras, especialmente nas saídas de ré, de forma a evitar eventuais colisões. Mas alguns deles, assim como seus monitores, são rápidos em chamar os multadores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) quando o dono do veículo, que está no trabalho, excede o tempo arbitrado de estacionamento. A rua é pública, e o pagamento da Zona Azul deveria ser opcional, porque o contribuinte paga impostos para isso. A propósito, não se conhece uma prestação pública do quanto arrecada a Zona Azul. Quanto aos denominados guardas municipais, estes raramente são vistos orientando o tráfego. E os ''guardadores'' que infestam Londrina mais que os pombos sabe-se que só alguns poucos cuidam do veículo. A maioria só impõe preço, às vezes faz insinuações de ameaça, recebe e desaparece. É um verdadeiro assalto, ante o que as pessoas se submetem, com receio de que danifiquem o veículo ou façam coisa pior. É preciso diminuir os encargos com impostos, taxas, contribuições, e não criá-los ainda mais. Em tempo de greve por melhores salários da Prefeitura, e ante a alegação oficial de que não há recursos para isso, questiona-se a existência da guarda municipal, que é onerosa e não presta serviço relevante. E já que o assunto é trânsito, há que avaliar também a afirmação da gerência de tráfego da CMTU de que não há dinheiro para nada (daí a baixa operância do setor), no entanto, existe verba para manter a própria repartição e o funcionalismo a ela agregado. O cidadão já sofre o ônus de pagar em dobro o custo do veículo novo que compra, porque quase metade é destinada ao Governo, e mais IPVA, seguro obrigatário, taxas para obtenção de carteira de habilitação e outros documentos, multas, pedágio, imposto sobre o combustível, Zona Azul e os ''cuidadores''. E agora ainda querem impor a Zona Azul noturna! A hora não é de pensar em onerar ainda mais o bolso do cidadão mas de proporcionar-lhe mais segurança e, no caso do trânsito, facilitar o fluxo, sincronizar semáforos, sinalizar melhor as ruas, estudar fórmulas de aumentar espaços de estacionamento providências para facilitar a vida do motorista e evitar acidentes e roubos.

mockup