Nem qualificação garante vaga
A falta de crescimento econômico é a principal causa da escalada do desemprego na década de 90, que se traduz na maior preocupação do trabalhador brasileiro hoje. A taxa avançou de 10% em 1990 para 17,5% em 2001, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Numa análise do perfil do desempregado, chega-se à conclusão que qualificação e formação escolar não garantem o emprego, diz o coordenador do Dieese-PR, Cid Cordeiro. Uma pesquisa feita pelo Dieese-SP mostra que, de cada 100 desempregados, 32 estão na faixa de 18 a 24 anos, 31 entre 25 a 39 anos e 20 têm mais de 40 anos. Em 1990, os jovens desempregados somavam 31 pessoas em cada 100 desempregados.
Cordeiro ressalta que a pesquisa serve às principais regiões metropolitanas brasileiras. O período de espera para se encontrar novo posto de trabalho tem crescido. No início dos anos 80, o trabalhador esperava em média 20 semanas. Hoje, são 50.
O maior reflexo do desemprego é a queda na renda das famílias brasileiras desde 1998. No período de 1997 a 2002 a perda real no poder aquisitivo das famílias, descontada a inflação, foi de 29%. Esse é um dos motivos que está levando o trabalhador a reduzir o consumo. Só nos últimos 12 meses, a queda de renda das famílias foi de 10%. A renda média caiu de R$ 923,00 em fevereiro do ano passado para R$ 829,00 em fevereiro desse ano.





