Nem política fiscal, nem investimento
A semana chega ao final com sabor amargo do aumento dos juros básicos, apesar do apelo dos setores produtivos. Na política, a opinião pública viu a oposição conseguir formar uma CPI mista (composta de senadores e deputados) para apurar denúncias de corrupção nos Correios. Mas teme que o governo consiga ''abafar'' a Comissão, como ocorreu em outro escândalo, o caso Waldomiro Diniz. Nada está seguro, por enquanto. O aumento dos juros em 0,25 pontos percentuais na taxa Selic não causa estrago imediato ao comércio, que já vem penalizado há algum tempo. A redução do consumo não é a principal consequência dos juros. O aumento sinaliza algo bem pior porque expressa o medo do governo diante do risco de uma debandada dos investidores, regiamente remunerados. A fuga de capital é iminente. O Brasil, desde quinta-feira, aos olhos de analistas internacionais, é uma economia de risco ainda maior, como sugere o aumento dos juros para segurar o capital (especulativo) externo. O financiamento da dívida interna não pode prescindir desse tipo de investimento efêmero e volátil. O governo recorre a instrumento de política monetária um tratamento simplista para contornar duas vertentes: a necessidade de atrair recursos e, ao mesmo tempo, inibir o consumo que (na visão da política conservadora de Palocci) provoca inflação. A teoria é uma farsa numa economia estável mas defensável dentro do amadorismo da atual política econômica. Na verdade, o uso da política monetária (aumento dos juros) substitui, porcamente, a ausência de uma política fiscal que reduza a gastança do governo. No caso, prefere-se aumentar os juros, elevar o risco Brasil, abortar crescimento das empresas para não pôr limite à gastança generalizada. A gestão econômica é irresponsável porque está empurrando o País para grandes dificuldades ainda no segundo semetre. O aumento dos gastos está complicando a frágil estabilidade. São os gastos do governo que obrigam o Banco Central a manter os juros reais em níveis insustentáveis. Juros altos têm que compensar a ausência de austeridade na política fiscal. Exemplos da gastança existem todos os dias. Não faz muito tempo o governo contratou 40 mil novos servidores, para citar um único caso. Além de inibir investimentos privados porque o País perde a capacidade de consumir e não tem demanda , o governo também não faz investimento algum; suas estatais gastam tudo em propaganda. O volume de investimentos no governo Lula caiu praticamente pela metade em relação ao governo anterior a quem, aliás, não se deve atribuir nenhum elogio porque estava se deteriorando com FHC e Pedro Malan. A retomada de investimenos públicos é demorada e o discurso já não convence.





