Vejo com preocupação os rumos que a polarização política-ideológica que hoje toma conta da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, por conseguinte, está tomando em toda a cidade. Sinto-me dividido, e porque não dizer, confuso diante do quadro político que ora se apresenta a nós cidadãos comuns.

De um lado, legitimamente, vemos estudantes, professores, servidores reivindicando direitos, pois, embora este grupo diferentemente dos demais cidadãos tenham algumas "vantagens" por suas respectivas funções e atribuições públicas, também são vítimas da crise econômica que ora nos assola e, portanto, é mais que natural, que assim como outros cidadãos, se revoltem e gritem por seus direitos.

De outro lado, também de forma legítima, encontramos outros professores, estudantes e servidores, que desejam retomar o seu trabalho, pois, por mais que a causa seja justa, as paralisações, greves e ocupações prejudicam em muito a vida de todo mundo. Professores terão de repor aulas, estudantes deixaram de se formar, tudo por conta de um calendário atrasado e do desgaste ocorrido.

Não irei aqui entrar nos pormenores de tudo isso – pichações de prédios públicos da UEL, conflitos entre grupos políticos-ideológicos, pois certamente haverá pessoas mais preparadas intelectualmente do que este que vos escreve - para discorrer sobre isto. Embora defenda que toda forma de extremismo não nos leva a lugar algum.

O cerne da questão não está nesta divisão. O que precisamos entender é que o nosso problema não são as ocupações e muito menos os "filhos da UEL", o que precisamos compreender é que temos uma reitora sem condições de gerir de forma efetiva tais situações e sem autonomia para isto. Pois ela é vítima de uma forma de gestão arbitrária e desleixada com a educação.

Além disso, temos um governo que não possui capacidade técnica e muito menos habilidade política para sentar e dialogar com a sociedade. Pois não é segredo para ninguém, que graças ao mar de lama e escândalos de corrupção que enfestam componentes do governo, misturados com a falta de competência técnica para gerir as contas do Estado, tornam ilegítimo qualquer atitude por parte do Estado. E cá estamos reféns dessa situação calamitosa que ora vivemos.

O que precisamos nesse momento é uma conciliação de todos os lados para, um só fim, debater qual será o futuro de nossa educação e dos demais serviços públicos sucateados por governos descomprometidos com o povo. E ainda creditar na conta de um só responsável, o governo do Estado que não teve capacidade técnica e muito menos habilidade política para sentar e dialogar com a sociedade e exigir uma solução rápida, eficiente e que beneficie todos nós em curto prazo, pois foi a sua incompetência que nos jogou a essa guerra sem fim.

ALMIR ESCATAMBULO é cientista social e estudante de Direito na Faculdade Arthur Thomas em Londrina

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