Sem emprego e comendo todo mês por conta de uma cesta básica da igreja, a vendedora de produtos alimentícios desempregada, Ivone dos Santos, 38 anos, ainda encontra forças para ir até a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e negociar sua dívida de R$ 44,60 de uma conta vencida há quatro meses, em 22 de junho.
Ao lado do marido, José Francisco dos Santos, 63 anos, que já sofreu dois derrames, Ivone não esmorece. ''Cortaram minha água hoje. Vou tentar parcelar'', afirma, enquanto espera ser atendida.
Ivone é um dos 8.600 chefes de família em débito atualmente com a Sanepar. ''Os inadimplentes já foram em maior número'', observa, porém, o gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima.
Há dois anos, segundo ele, 35 mil usuários da companhia deixaram de pagar suas contas. Desde então, a renegociação foi ampliada. O parcelamento da dívida é liberado em duas vezes até 12 vezes, com juros de 1,81% ao mês. Em casos extremos, a renegociação chega até 24 parcelas. ''Houve uma redução considerável na inadimplência'', assegura Kishima.®MDNM¯ A Sanepar cobra R$ 4,59 para religar o fornecimento de água. ''É o custo do deslocamento da equipe técnica'', informa.
Hoje existem 113.694 ligações de abastecimento de água em Londrina, que se ramificam em 158.104 economias (diferença referente a ligações de apartamentos residenciais e prédios comerciais).
A maior parte, 45% do total das ligações, consomem até 10 metros cúbicos de água por mês, o equivalente a 333 litros de água por dia. Por este consumo, cada usuário da Sanepar paga R$ 12,25.
Dez metros cúbicos de água, também, são o gasto máximo para quem têm direito à tarifa social de R$ 4,50. Outros cinco requisitos são necessários para usufruir deste benefício.
Para pagar apenas R$ 4,50 por 10 metros cúbicos de água, o consumidor deve ter renda familiar máxima até dois salários mínimos, possuir casa com metragem até 60 metros quadrados, não ser proprietário de veículo, telefone ou mais um imóvel, e não ter débitos.
Conforme Kishima, apenas 1.200 consumidores se beneficiam da tarifa social. ''Muitos perderam este direito porque deixaram de pagar as contas, depois da ação do Ministério Público há dois anos'', esclarece o gerente metropolitano.
Com uma renda familiar que não chega a R$ 700, o garçon José Rosivaldo da Silva, 29 anos, vive as agruras do dia-a-dia. Num mês paga a conta da luz, noutro, a da água. ''A renda é muito pouca'', reclama.
Ele é arrimo de uma família de três adultos e duas crianças. Sua dívida com a Sanepar chega quase a R$ 600,00. No dia 24 de setembro venceu a terceira parcela das 24 que possui, no valor de R$ 17,00. Segunda-feira passada, ele ainda não tinha pago. ''Estou com medo que cortem a água.''

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