Nem desinformado e nem deselegante
Com toda certeza não é desinformado e nem deselegante o cardeal primaz do Brasil e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, Geraldo Majella Agnelo, quando faz críticas à política social do Governo Lula. Quem lhe lança esses dardos é o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, incomodado com as ácidas declarações do prelado sobre a administração petista. O bom relacionamento que havia entre a CNBB e o PT veio se deteriorando, e não apenas com relação ao governo federal. Dom Geraldo não é desinformado, porque suas avaliações acerca da gestão ''lulopetista'' são as mesmas que fazem as classes empresariais e os cidadãos, que, então, também se enquadrariam no juízo do ministro. Quanto à ''deselegância'', é nada mais que um exercício da democracia a do livre direito que cabe a todos de manifestar-se, e, mais que um direito, um dever mas pela ótica da comunidade governamental, destacadamente do supremo mandatário, basta criticar o Governo para receber qualificativos como os emitidos por aquele membro da equipe funcional. Deveria Jaques Wagner contrapor-se também ao seu colega Luiz Furlan, que declarou recentemente como crítica ao Governo a que pertence que ''há uma sensação geral de desânimo no País''. O crescimento de apenas 2,3% da economia, no ano que finda, atesta que não há desinformados e nem deselegantes entre eminentes autoridades da sociedade civil e da denominada gente do povo, formada pelos milhões de brasileiros anônimos. Se desinformação existe ante a realidade, esta deve situar-se no círculo do poder. Mas nem se crê que o Governo esteja desinformado, pois a verdade é que, ante qualquer informe negativo que chegue à mesa do Presidente e emane de respeitáveis lideranças e do clamor popular, Lula atribui a coisa da oposição e de quem quer desestabilizá-lo. O pior cego é aquele que não quer ver. Por isso o presidente Lula declara que o Brasil caminha pela rota do desenvolvimento sustentado e que tudo vai bem. As críticas não partem apenas de dentro de alguns setores do próprio Governo, de figuras como o arcebispo-primaz, das classes produtoras e dos cidadãos, mas de instituições como a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (mais conhecida como Cepal), que recentemente afirmou que ''o Brasil trava a expansão da América Latina''. Ao fazer tão pesada afirmação, estribou-se no fato de que em 2005 o País teve resultado apenas superior ao do Haiti, porque todos os demais países da região cresceram mais que 3%. E se houve algum crescimento no Brasil foi graças às exportações, que não são obra governamental mas mérito da iniciativa privada. O que cresceu de fato foi o inchaço da máquina governamental: 21%.





