Nem asfalto existe em algumas estradas
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de junho de 2002
Lucinéia Parra<br>e Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Maringá Na região de Maringá duas rodovias estaduais estão em estado de calamidade pública pela total falta de conservação. Na PR-542, que liga Itaguajé a Santo Inácio, e na PR-458, entre Flórida e Atalaia, praticamente inexiste massa asfáltica. Os buracos são tantos que obrigam os motoristas a utilizarem o acostamento de terra por vários quilômetros.
Placas escondidas pelo mato ou totalmente ilegíveis também estão espalhadas não só ao longo das duas rodovias, como também na PR-463 e na PR-218. Na PR-463, no trevo de acesso a Lobato, nem mesmo o motorista dono de uma visão 100% consegue ler o nome da cidade supostamente indicada na placa.
Não dá mais para usar esta rodovia porque acaba com o carro, além de ser perigosa, diz o pecuarista Tuneo Susuki, morador de Itaguajé. Nos 14 quilômetros que ligam Itaguajé a Santo Inácio, é comum encontrar caminhões e carros de passeio usando os acostamentos para desviar dos buracos Não sabemos mais o que fazer para chamar atenção das autoridades e a impressão que dá é que estamos esquecidos, desabafa o vice-prefeito de Santa Inês, Osvaldo Ferreira Lopes.
Na PR-458, entre Flórida e Atalaia, é impossível trafegar com velocidade acima de 30 quilômetros por hora. Mesmo em baixa velocidade os riscos de danos aos veículos não diminuem. Já passou da hora de alguém tomar alguma providência, critica o mecânico Nelson Semensati. Ele admite que nos últimos anos não fica um dia parado por falta de serviço, mas afirma que não aprova a falta de manutenção da rodovia.
O próprio chefe do Departamento de Estrada e Rodagem (DER) em Maringá, José Ferreira Heidgger, confirma que as duas rodovias estão em estado deplorável. Mas já estamos providenciando a operação tapa-buracos nos dois trechos, diz. Segundo ele, na rodovia entre Itaguajé e Santo Inácio, a obra deve começar em julho. Heidgger também cita o início dos trabalhos entre Flórida e Atalaia e diz que a operação tapa-buracos, mesmo em rodovias com total degradação da massa asfáltica, traz resultado satisfatório e tem durabilidade de quatro a cinco anos. Sobre as placas de sinalização, Heidgger afirma que o DER iniciou a troca das mais antigas.
Cascavel Uma pista totalmente irregular, cheia de buracos, acostamento quase inexistente e sinalização falha. Esta é a realidade da BR-467, a única via de acesso entre Cascavel e Toledo, que possui somente 45 Km de extensão, mas que em pouco mais de cinco anos computa mais de 600 acidentes e 76 vítimas fatais.
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) realizou uma vistoria ano passado para levantar os problemas da BR-467, mas pouco foi feito para amenizar a situação. No relatório, os engenheiros deixaram explícita a necessidade de ser feita a restauração da pista, algo que não foi atendido.
Apesar de ser uma das principais rodovias utilizadas para escoamento da safra para o Porto de Paranaguá, o DNER descarta a possibilidade de ser realizada a duplicação do trecho, por entender que do ponto de vista técnico, a média de tráfego, cerca de 5 mil veículos por dia, não exige este tipo de obra.
Segundo o engenheiro Vicente Veríssimo Júnior, chefe do Escritório Regional do DNER em Foz do Iguaçu, a única obra prevista é a construção de terceiras faixas nos pontos mais críticos. Mas, para isso, antes é necessária a aprovação de um projeto por parte da direção nacional do órgão. Ele acrescenta que uma empresa foi contratada para fazer a manutenção da BR-467.
O presidente da Associação dos Caminhoneiros de Cascavel, Jeová Pereira, ressalta que a rodovia não propicia condições ideais para o tráfego, principalmente dentro do perímetro urbano de Cascavel, onde além da situação precária da pista, existem muitos pontos irregulares de travessia.
ALGUNS PONTOS CRÍTICOS DA MALHA RODOVIÁRIA PARANAENSE
BR-153
(Entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti)
Rodovia com buracos em toda a extensão foi bloqueada com terra por prefeitos da região no último dia 10
PR-092
(Entre Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva)
Rodovia com acostamento precário em vários trechos e sem terceira faixa. Tráfego de caminhões pesados
PR-446 e BR-487
(Entre Caetano Mendes e Manoel Ribas)
Rodovia com enormes crateras no asfalto em toda a extensão e sem acostamento
PR-542 e PR-458
(Entre Itaguajé e Santo Inácio e entre Flórida e Atalaia)
Rodovias com acostamento precário em alguns trechos e inexistência de massa asfáltico em vários


