Nem à esquerda nem à direita, em frente
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 2015
Wilson Francisco Moreira 
A atual situação política brasileira está cada vez menos amistosa. Direita e esquerda se encolerizam e se acusam mutuamente de ter gestado e dado à luz à corrupção que campeia formosamente pelo território nacional. A corrupção que penetra em todos os setores e descortina seu protagonismo nas relações público/privado. Gigantes empresas maculadas pela lama pública, associadas diretamente ao sistema eleitoral tupiniquim, reproduzido eleição após eleição. O dinheiro saindo dos cofres públicos em direção às empresas e depois retornando aos políticos para enriquecer e reproduzir o poder e os poderosos.
Quem tem razão? Quem criou as condições corruptíveis público/privado? Há quem diga que desde 1500 já se enriquecia ilicitamente nestas terras em que tudo dá. Entre esquerda e direita ninguém tem razão. Todos têm um pouco de culpa. Razão é o que menos se vê nos políticos atuais. Pouquíssimas luzes podem ser encontradas na vida política sombria e miserável atual.
Radicais governistas insistem que todo mal da nação está na imprensa e na chamada elite. Até a Justiça é atacada por fazer seu papel. Proclamam que há um golpe em curso contra a presidente Dilma Rousseff. Radicais da oposição e antipetistas querem ver a presidente sair de qualquer forma. Os mesmos que também são acusados de corrupção.
A indignação de boa parte da população após a eleição é compreensível. No período eleitoral tudo parecia maravilhoso ao governo, não havia nenhum problema econômico. A realidade veio e desnudou o governo, restou o ajuste e a conta é nossa. No entanto, não é apenas o governo Dilma culpado. A administração pública nacional, desde sempre, pouco planejou de fato a economia. No pós-ditadura a coisa piorou, pois sempre se trabalhou para ganhar a próxima eleição e não para a nação.
Cabe dizer aqui que a opção do então presidente Lula durante a grave crise mundial de 2008 foi dizer para as pessoas consumirem "porque assim aqueceria a economia". A opção do ex-presidente foi a farra do crédito fácil e as desonerações de impostos em diversos setores. Aí está o resultado hoje: impostos desonerados fazem falta e as famílias absurdamente endividadas. A construção civil e a indústria automotiva, fundamentos do governo Lula, em queda e com mercados saturados.
Os governistas proclamam orgulhosamente que o Brasil avançou muito nas áreas sociais e na distribuição de renda. Mas também é verdade que conseguiram graças à estabilidade econômica alcançada em outro governo. É preciso reconhecer. Pontos negativos e positivos todos os governos têm. A corrupção não pode ser o preço pago por avanços sociais ou econômicos.
Nesse momento difícil, a sociedade precisa compreender que os radicais dos dois lados devem ser ignorados. Dar atenção a eles é aprofundar a crise. Empresários sérios, trabalhadores, políticos honestos e equilibrados, funcionários públicos e todos que lutamos por um país melhor, estejamos atentos e trabalhando com afinco como sempre. Cobrando posições positivas dos governantes e vigilantes para que quem errou seja punido de fato, exigindo a devolução do dinheiro público roubado. Alimentar a mesquinha briga política entre esquerda e direita é ridículo. Vamos olhar para a frente, pois ano que vem tem eleições e poderemos escolher um pouquinho melhor nossos representantes.


