Nélson Piquet está de volta às pistas brasileiras. O tricampeão correrá duas provas de GranTurismo (conhecida como BPR na Europa) em Pinhais-PR, no próximo dia 8, e em Brasília, no domingo seguinte. Piquet é um dos organizadores do evento e pilotará uma McLaren-BMW em parceria com o venezuelano Johnny Ceccoto.
Desde que deixou a Fórmula 1, no fim de 91, Piquet alimentava dois sonhos. ‘‘Queria correr as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans’’ - revelou. Na Indy, em 92, sofreu o acidente que o deixou com o movimento do pé esquerdo limitado. Em Le Mans, estreou este ano, pilotando a McLaren Esporte criada pelo amigo Gordon Murray, seu ex-projetista na Brabham. A máquina de Murray é o carro de passeio mais caro do mundo: US$ 1 milhão, tem motor V12 de 700 cavalos e atinge 340 km/h.
‘‘Assim que andei, me apaixonei pelo carro’’ - contou Piquet, que teve a idéia de trazer a categoria para o Brasil. Em 97 a corrida brasileira, em 23 de novembro, já contará pontos para o campeonato. As estrelas desta competição são os possantes Ferrari F40, McLaren GT F1, Porsche 911, Jaguar, Dodge Vyper, Lotus e Corvette. ‘‘Não tem nada a ver com F-1: o carro é muito maior, fechado e tem rodas cobertas’’ - explicou Piquet, acrescentando: ‘‘E o banco do piloto fica no meio: tem espaço para levar a namorada de um lado e a sogra do outro, ou até a mulher e a amante.’’
Para Piquet, trazer a GranTurismo para o Brasil é uma realização, assim como administrar o autódromo de Brasília e promover campeonatos regionais. ‘‘É uma continuação da minha vida no automobilismo.’’ O tricampeão criará uma nova categoria em Brasília, a Proton, com protótipos fabricados no Ceará, motor BMW e mecânica Volskwagen, para dar oportunidade a pilotos sem muito dinheiro. Um carro destes custará US$ 17 mil.
Mal-acostumados A Fórmula 1 não poderia deixar de ser assunto comentado por Piquet. Ele garantiu que não volta a competir na mesma, se mostrou pouco otimista quanto ao futuro brasileiro na categoria e afirmou que os brasileiros estão mal-acostumados. Afinal, na avaliação de Piquet, foram oito títulos mundiais nas duas últimas décadas.
‘‘Os brasileiros estão mal-acostumados e agora precisam ter paciência. É preciso ser um fora-de-série para estar no topo da F-1. Eu só lamento que alguns pilotos de futuro, como o Helinho Castro Neves, tenham seguido diretamente para os Estados Unidos. Acho que seria melhor fazerem o caminho da F-1’’ - avaliou Piquet, que está investindo, ao lado de patrocinadores, cerca de US$ 1,5 milhão para trazer a Gran Turismo ao Brasil.

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