Negócios paranaenses com a China
Missões oficiais a outros países, formadas de governantes e empresários, não são imediatamente produtivas e por si mesmas não celebram transações comerciais, mas têm função precursora e sedimentam intenções. As negociações propriamente ditas vêm na sequência e dependem de interesses, de habilidades e da conquista do consumidor, estranho a alguns produtos. O mais difícil é agradar e seduzir aqueles que irão consumir ou usar as mercadorias oferecidas. Caso dos chineses, que sozinhos somam 1/6 da população mundial e cuja nação tem poder aquisitivo. É para a China onde está viajando o governador do Paraná, Roberto Requião, acompanhado de uma caravana de homens do Governo e empresários. Eles vão para vender e não necessariamente para comprar, porque o Paraná tem a oferecer, sobretudo, produtos alimentícios, e disto aquele país precisa, para alimentar diariamente 1 bilhão e 300 mil bocas. Há pelo menos 200 grupos empresariais chineses que já manifestaram interesse em realizar negócios com o Paraná, porque sabem de seu potencial de produção, especialmente na área da agricultura, em todas as suas variáveis, e da pecuária, capaz de fornecer ampla gama de variedades de carnes. O Paraná vendeu à China, no ano passado, R$ 1,1 bilhão, mas o propósito é aumentar essa cota e intensificar o porcentual de manufaturados. O Brasil e o mundo estão voltados para a China, que passa por um processo de intenso desenvolvimento, apesar de seu território pequeno para abrigar tanta gente, e o Paraná não poderia ficar atrás, justamente pela sua capacidade de oferta de produtos alimentícios. Enquanto isto, a Câmara do Comércio e Indústria Brasil-China chega também a Londrina e propõe a instalação de um escritório de representação, para as facilidades burocráticas aos exportadores regionais e também aos interessados em intercâmbios na área. Não é apenas o Paraná em busca desse vasto mercado, mas são também os chineses que vêm ao encontro, desejando comprar e também vender, e assim interesses mútuos se manifestam e os negócios se concretizam. Hoje o agronegócio responde por 80% das transações do Brasil com a China, porque o interesse daquele país, no momento, é garantir a subsistência dos trabalhadores rurais e a saúde alimentar de sua população, que em volume corresponde a 7 vezes a brasileira. Desnecessário dizer o que isso significa em termos de consumo, destacadamente o orgânico. O mais será saber produzir e vender, segundo o paladar chinês, que é exigente e de difícil assimilação para certos produtos. A presença da comitiva oficial paranaense e o propósito da Câmara de Comércio Brasil-China de instalar escritório em Londrina são novos portais que se abrem, de interesse muito especial para o mercado exportador brasileiro, no momento mais fornecedor que importador. Ainda existem barreiras alfandegárias que oneram os produtos brasileiros em até 40%, nas relações comerciais com a China, e essas barreiras precisam ser eliminadas. Mas quem deseja vender, tem que se mexer, e quem está hoje chegando ao mercado chinês já chega atrasado.





