Negócios, incentivos e fomento
Londrina apresenta, hoje, um parque industrial considerável. Destaca-se na produção de embalagens, no setor metalmecânico, na área de refrigeração, na agroindústria e já possui, até, alguns pontos isolados da cadeia de produção da ciência e da tecnologia. A região toda é citada e reconhecida como de grandes potencialidades e riquezas. Apesar disso, sua economia ainda não se baseia na atividade industrial.
O Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI), foi e é uma arma poderosíssima, especialmente para a orientação do poder público na realização de investimentos em infra-estrutura e melhorias com o fim de atrair novos negócios para o município, e com isso incrementar o setor produtivo. Há uma tendência inegável forçando a evolução da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) a tornar-se um organismo de concepção mais arrojada e tomar um outro rumo.
Os tempos de nova economia e de alastramento do terceiro setor deverão levar o PDI e a Codel ao estágio mais otimizado e avançado de sua existência, a saber, a uma agência de desenvolvimento, a princípio metropolitana e, posteriormente, regional. Talvez aí esteja o know-how da tão sonhada metrópole linear Londrina-Maringá.
Invariavelmente, empresário e poder público têm visto a Codel como um órgão cuja função é a atração de novos empreendimentos através da concessão de benefícios que, ao invés de satisfazerem as expectativas de todos os segmentos, acabam por desagradar aqueles que investiram na cidade sem isenções de impostos ou um metro quadrado de terreno gratuito.
A propósito, Londrina tem uma lei de incentivos com excelentes características; aliada ao Programa Paraná Mais Empregos, do governo do Estado, constitui-se um elemento de negociação de amplo espectro para a viabilização de bons negócios.
Mas a questão que hoje paira frente a esta realidade é: será que o empresário, o empreendedor gerador de divisas e empregos, atrai-se apenas por vantagens fiscais e doações para aportar sua indústria em determinado local? Qual é a verdadeira razão da existência de uma empresa capitalista? A resposta todos conhecemos: fazer negócios. E que sejam rentáveis, que dêem lucros.
As indústrias que hoje estão estabelecidas na cidade realizam diariamente um volume de compra de matérias-primas e insumos assombrosamente alto. Não se dispõem dos dados de qual é este montante, mas se sabe que um percentual muito elevado de material é importado de outros países ou outros estados. Produtos estes, às vezes, fabricados aqui mesmo, a alguns quarteirões de quem os consome.
Seria possível reter em Londrina e região uma fatia maior que a atual dos recursos gastos em compras industriais? Ou melhor, o material adquirido fora daqui poderia ser fabricado e comercializado aqui mesmo, de acordo com as necessidades de quem os utiliza?
Por que pensar nesses termos? Simplesmente porque um banco de dados que contenha a quantidade produzida, a especificação de cada produto da indústria local e as necessidades de matérias-primas e insumos dessas indústrias, possibilitaria uma aproximação entre o produtor e o consumidor, ou seja, uma alavancagem mercadológico expressiva entre empresas que ignoram a cadeia produtiva hoje em voga.
Isso representaria mais recursos em circulação na região e a consequente atração de novos interessados em se inserirem nessa cadeia localizada. Estaríamos, com isso, criando um mecanismo maduro e profissional de integração e atração de novos negócios sem a dependência do primitivo e desigual incentivo doação-isenção.
A Codel, aliada às universidades e outros órgãos, centralizaria e coordenaria a coleta de dados, constituiria um banco mercadológico e transformaria estes dados em informação. Aliás, convém filosofar: dados e informações são coisas muito diferentes. Dados crus são inúteis. Dados categorizados e processados tornam-se úteis para gerar conhecimento e decisões sólidas.
O cruzamento das variáveis deste banco de dados produziria duas frentes muito amplas. Primeira: o fortalecimento da malha industrial local através de novos negócios que se potencializariam sem grandes demandas logísticas e muito adequado ao sistema just on time de produção. Segundo: seria um plano estratégico de grande valia aos órgãos de incentivo à atividade industrial estadual e municipal para fomentarem segmentos complementares ao ciclo produtivo, de acordo com a realidade de negócios hoje existente.
De que vale a simples transferência de uma indústria de São Paulo para Londrina para tornar-se apenas uma ilha isolada de produção? Área doada pela prefeitura, impostos liberados, investimentos do governo do Estado em formação de mão-de-obra, dilação de prazo do ICMS e outras benesses que, no fim das contas, podem apenas servir para discursos de políticos interesseiros. Quem sabe o que fará essa empresa quando se esgotarem os benefícios?
Ao contrário. Com o engajamento de empreendimentos que tenham mercado garantido na cidade, região ou no Estado, torna-se factível uma política de vantagens reais na qual todos os envolvidos do pequeno ao grande participarão voluntariamente do mecanismo de atração dos novos investimentos.
- ABRAHAM SHAPIRO é engenheiro industrial e diretor executivo do PDI
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