Negligência em descuidar da greve
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Desde o primeiro
dia as partes
deveriam manter-se
em contínuo debate
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Imaginava-se que com o advento do Governo petista não haveria mais greves no Brasil porque todos os problemas salariais e sociais seriam resolvidos. Ao menos este era o ideário da campanha e sempre foi bandeira do PT. Também se imaginava que, em caso de um eventual aceno de greve, imediatamente o diálogo se estabeleceria e tudo seria resolvido a contento, afinal uma quentão de família, porque nada é mais íntimo para a militância do partido do que movimento grevista (sem exclusão do já!). No caso da greve dos servidores municipais de Londrina cidade de administração petista parados há uma semana por reivindicação salarial, vê-se que o entendimento está difícil. O estado de greve mostra a negligência pela questão desde que a solicitação de aumento foi formulada. O fato, portanto, não é novo e sinalizava para o desfecho que agora ocorre. Foi-se deixando a situação estender-se, até chegar ao ponto de exaustão. Já nem se discute aqui razões e números, porque estes estão no noticiário, e sim o protelamento de um problema que já fermenta desde 2001. Como consequência, a greve já resulta em 7 dias de paralisação e os prejuízos no atendimento ao público são muitos. Tal não deveria acontecer num município da importância de Londrina, onde dias parados representam grandes perdas. Os serviços de saúde estão sendo atendidos mas apenas nas necessidades mínimas, e uma resultante é a sobrecarga dos hospitais da cidade, pela ausência de certos atendimentos de atribuição da Saúde Pública municipal. Dos 34 mil alunos das escolas, 80% estão sem aulas, e certamente que haverá perda na qualidade do ensino, mesmo com a reposição das lições. A alegação do Prefeito é que não há espaço orçamentário para o aumento, a Câmara de Vereadores diz que há e também o sindicato dos servidore afirma que existe margem no orçamento para a atender ao pleito dos servidores. Estes são os acadêmicos argumentos e contra-argumentos nas situações de greve, movimentos que sempre caracterizam ausência de diálogo e, quando ele existe, dificuldade de entendimento e acordo. Nesta segunda-feira os grevistas farão nova assembléia de sustentação do movimento, e não há indicativo de volta imediata ao trabalho, significando mais transtornos e prejuízos para os cidadãos que precisam de serviços vinculados à Prefeitura. Sete dias perdidos é tempo demais. Desde o primeiro dia da greve o chefe do Executivo, seus conselheiros e o partido deveriam estar debruçados apenas nesta delicada questão, até porque não há outras urgências importantes em andamento na administração municipal e nem obras de relevância a administrar. As partes precisam sentar-se à mesa das negociações e ali permanecer, avaliando até que ponto é possível a concessão do aumento salarial e o atendimento de outras reivindicações, mas que se chegue a uma solução final.





