Não há outro nome senão desleixo, para o estado de contaminação a que chegaram as águas do lago Igapó, o local público mais aprazível de Londrina. O grave é que as pessoas que nadam ali e pescam estão sujeitas à ingestão de coliformes fecais e podem contrair doenças como a hepatite A. Como os peixes também podem estar contaminados, o perigo aumenta se a carne é ingerida crua ou mal cozida, como muitos apreciam. O perigo foi constatado depois de análise físico-química e bacteriológica da água da represa, feita pelo Serviço Brasileiro de Análises Químicas e Ambientais, por solicitação deste Jornal. O alerta do perigo é feito também por professores do Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina. Fazia mais de um ano que essas águas não eram examinadas, porque venceu-se um contrato que a Prefeitura tinha com o Instituto Ambiental do Paraná-IAP. Estranha que as duas instituições públicas tenham abandonado o lago à própria sorte, oferecendo riscos de saúde às tantas pessoas que pescam e consomem os peixes, banham-se (no mais dos casos gente pobre) e os que treinam canoagem, praticam esportes aquáticos, pilotam jet-skies e caem na água. Quanto ao IAP, não é necessário um convênio para que zele pelo meio-ambiente, porque se trata de instituição pública estadual, portanto com obrigação de desempenhar a função que lhe cabe. Especialistas consultados pela Folha de Londrina acreditam que a contaminação é causada por esgotos domésticos e industriais clandestinos, ligados à rede pública. Naturalmente, para acabar com o perigo será preciso localizar esses pontos e eliminá-los. Uma medida saneadora será, mais uma vez, esvaziar o lago, com todos os transtornos que isso representa, e esta é tarefa que exige decisão rápida e, uma vez iniciada, ser concluída no menor tempo possível. Paralelamente, os que cometem o crime ambiental de contaminar a água, por meio desses esgotos, precisam ser punidos, ao tempo em que os organismos pertinentes devem iniciar campanha de conscientização e manter vigilância constante. O custo social de tratar de doentes em conseqüência desse descaso é maior do que se irá gastar com as precauções de saneamento e os cuidados de manutenção permanente. São centenas as pessoas que têm contato diário com essas águas poluídas, inclusive crianças. A pequena cascata que a Prefeitura implantou – justamente no ponto de maior contaminação, pelo que os pesquisadores constataram – é um dos locais mais freqüentados, especialmente nos dias calorentos, como agora. Se pessoas inescrupulosas poluem as águas, o poder público não pode ter o mesmo comportamento, ao permitir que a coisa chegue ao ponto de exaustão para só então despertar e anunciar uma providência.

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