Nedson garante que 2003 é o ano de investimentos
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sábado, 10 de maio de 2003
Cristiane Oyae Cláudio Osti<br>Reportagem Local 
Faltando apenas um ano e meio para o término do mandato, o prefeito Nedson Micheleti avalia como positiva sua administração e afirma que o programa de governo está sendo cumprido. ''Esse é o ano de investimentos'', disse o prefeito. A Folha ouviu seis entidades de classe sobre os principais questionamentos de cada setor e ainda a avaliação de londrinenses sobre a administração municipal.
Presidente da Federação das Associações de Moradores do Município de Londrina, Joel Tadeu Correa ''A região oeste, principalmente os jardins Leonor e Santa Rita, é muito carente. Falta creche e trabalho social para crianças, adolescentes e idosos. O que a prefeitura pretende fazer na questão social para aquela região, até para conter a violência?''
Nedson ''Temos equipes da Saúde da Família que já estão lá, os programas culturais, investimentos na melhoria e ampliação das escolas e postos de saúde daquela região. Toda atenção social está sendo feita lá na região oeste como nas demais regiões. Há uma ligação muito grande, pelas pessoas, da violência e das políticas sociais. Um debate muito importante mas que tem os seus limites. A Prefeitura de Londrina está fazendo políticas públicas de integração, com os projetos Viva a Vida e o da Rede da Cidadania, que movimenta centenas de crianças e adolescentes em todos os bairros de Londrina no contraturno escolar ou em atividades nos finais de semana. Começamos este ano com o projeto Futuro, de esportes, mais vinculado às escolas, também nos bairros e distritos. A parte da violência demanda ação policial, que é um outro aspecto e que não é o município quem faz, é uma questão do Estado. Também estamos tratando politicamente com o governo do Estado para ampliar o efetivo policial, a Polícia Comunitária, que não é ação social que vai resolver, é um fato que já está na criminalidade, principalmente ligado ao tráfico de drogas e porte de armas.
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier de Carvalho ''Tendo em vista o alto índice de desemprego em Londrina e região, a prática do comércio livre nos bairros da cidade, o horário amplo praticado pelos shoppings e supermercados, por que a administração municipal não aceita a abertura do comércio central aos sábados das 9 às 18 horas?''
Nedson Porque não há acordo entre os comerciantes e os comerciários sobre essa questão. Já me reuni com as duas partes e se houver esse acordo entre as partes, a prefeitura não terá nada a se opor, mas tem que sair um acordo entre o Sindicato do Comércio Varejista e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio para que um horário desse seja implementado.
Folha O prefeito é contra ou a favor da abertura nesse horário mais flexível?
Nedson Eu sou contrário a abrir todos os sábados. Eu tentei intermediar uma negociação para que abrisse os dois primeiros sábados e fechasse os outros e não houve concordância por parte de nenhum dos dois sindicatos.
Folha O comércio do centro não acaba sendo punido já que todo o resto, os shoppings, nos bairros abrem?
Nedson É uma questão de acordo entre as partes. Tem que se buscar essa solução. Não quero impor uma solução.
Presidente da Associação Médica de Londrina, Aparecido José Andrade ''O que o senhor acha da verba aprovada para o Fundo Municipal de Sa© úde? É suficiente para a atender demanda e dar um padrão de atendimento adequado à população?''
Nedson Acho que nunca é. Tanto o (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) Lula quanto o (governador Roberto) Requião e qualquer outro prefeito, outro governador, gostaria de ter mais recursos na saúde. Em Londrina aplicamos muito acima do que seria a nossa obrigação por lei. O nosso investimento está superior. O governo federal também está se comprometendo a liberar mais recursos para esta área da sa© úde e o estado também a partir deste ano, mas é o recurso que foi disponibilizado. Na área da saúde precisaria muito mais investimento, concordo com ele, mas não é o que nós temos.
Folha Esse fundo é formado de que forma?
Nedson Recursos federal, estadual e municipal. A União passando a parte dela, o município colocando a mais do que é obrigação na lei, que a Emenda Constitucional obriga, e o Estado colocando menos. Havia toda uma movimentação do Conselho Estadual de Sa© úde contra o governo anterior, o governador Jaime Lerner (PFL), para que ele colocasse no orçamento deste ano (o que prevê a Constituição) e nem isso ele fez. O que tem no orçamento deste ano alocado para o governo do Estado é inferior ao que exige a emenda constitucional e o Requião está tentando achar um caminho para suplementar essa rubrica para cumprir a Constituição. Se cada instância governamental cumprir a sua parte, já seria muito bom. O que está faltando é o Estado, o Requião tem o compromisso deste ano regularizar essa situação, o que já melhoria bastante para nós aqui.
Presidente do Sindicato da Construção Civil de Londrina (Sinduscon), José Roberto Hoffmann ''O setor tem dois problemas. Um deles é o atendimento na prefeitura. A resposta da prefeitura às indagações do empresariado, o retorno da informação e aprovações de projetos são muito demorados e isso está muito vinculado àss seis horas de trabalho que os funcionários da prefeitura têm. Outro problema é que a infra-estrutura da cidade não está acompanhando o crescimento. Um exemplo é a região da Gleba Palhano. Tendo em vista essas questões, por que não reestruturar o IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbando de Londrina) para ser o orgão de planejamento da cidade?''
Nedson Sobre a primeira parte da pergunta, isso já foi mudado radicalmente. Acho até que ele está desatualizado na informação. Existia mesmo aqui na prefeitura um acúmulo de processos: entrava com um pedido para dar um parecer e demorava não sei quanto tempo. Hoje, estamos praticamente demorando 30 dias, que é o prazo. A análise de hoje está sendo feita com muita rapidez e não é essa questão da jornada, porque o funcionário que pega tem que dar o parecer; o engenheiro que pega o projeto para analisar é o mesmo que vai falar com o empresário, discutir o que ele tem que melhorar, adequar no projeto dele. No aspecto da reestruturação do IPPUL, já está feito. O IPPUL está aqui, junto da Secretaria de Obras. O projeto daqui tinha que ser despachado para o IPPUL lá no outro prédio e depois encaminhado de volta e só nisso já foram três dias. Agora estão ali, juntos, já analisa o parecer do IPPUL, da Secretaria de Obras de uma vez e já fala para a pessoa: a norma é essa, o projeto é esse e tem que se adequar a isso. Hoje é muito mais rápido.
Folha A outra questão que ele coloca é que a infra-estrutura da cidade não estaria acompanhando o crescimento, exemplificando a região da Gleba Palhano.
Nedson Está sim, sem dúvida. A questão inclusive é que quem leva a infra-estrutura é o investidor. Se você pega hoje, na Gleba Palhano o Alphaville, grande empreendimento que está ali, quem está fazendo a infra-estrutura lá e é obrigação dele fazer, não é o município que tem fazer a infra-estrutura. É o investidor e está sendo feito, como rotatórias, duplicações. A lei urbana em Londrina é muito adequada. Que estrutura não tem na Gleba Palhano que não seja obrigação dos empresários responsáveis pelos investimentos? A prefeitura dá as diretrizes e as diretrizes estão claras para a Gleba Palhano e qualquer outra região da cidade. Isso que ele está colocando não existe.
Folha Ele também pergunta por que não reestruturar o IPPUL para ser o órgão de planejamento da cidade. Como fica o IPPUL?
Nedson - O IPPUL foi criado e não estruturado desde o começo. Fizemos toda uma discussão para termos um órgão que fosse único (IPPUL e Secretaria de Obras) que o próprio Sinduscon foi contra, o Clube de Engenharia foi contra, o que daí sim daríamos toda uma estrutura de um instituto de planejamento e obras em Londrina. O IPPUL trabalhava praticamente só com estagiários e nós que estamos agora, dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo concurso para contratação de arquitetos, engenheiros estruturando o IPPUL, desde a sua origem até hoje.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), David Dequech Neto e o presidente da ONG Canaã, Ulisses Sabino, querem saber sobre o compromisso público que o senhor assumiu de ampliar o Calçadão até 2002 até a rua Mato Grosso e a revitalização de toda essa área.
Nedson Este ano. No ano de 2003, conforme eles estão informados disso. Tanto os empreendedores do novo Shopping Popular sabem que é este ano, tanto que foi colocado no orçamento deste ano, quanto a Acil também sabe disso. Não sei de onde que ele (Dequech) tirou essa questão de prazo de 2002, porque se existe algo que falei sempre muito claro é que obras estruturais seriam em 2003. Também estamos fazendo estruturação e fiscalização no centro da cidade. Quando começamos nosso governo tinha, do Calçadão até o Terminal de Transporte Coletivo, nas avenidas São Paulo e João Cândido de cima em baixo, camelôs com pano estendido na calçada que não dava nem para andar. Hoje temos o Shopping Popular e os camelôs são empreendedores e solucionamos, de forma negociada, o problema do camelódromo que tinha na frente do museu. Calçadão cuidado, limpo. O Calçadão é uma marca da cidade de Londrina. O projeto para a extensão dele até a rua Mato Grosso e a adequação das calçadas da Mato Grosso como é da rua Sergipe está OK para ser implementado nesse ano de 2003. E vai ser implementado.


