Necessidade de cuidar da Amazônia
Entre as grandes responsabilidades do Brasil figura a preservação da Amazônia, e alertas a respeito é o que não têm faltado, como voltam a fazer agora cientistas reunidos em Brasília. Se centenas de outras razões não houvesse, uma delas é que a floresta sequestra gás carbônico, o responsável pelo efeito estufa que destrói a camada de ozônio protetora da atmosfera contra os raios solares e em quantidade superior ao gás produzido, no Brasil, pela queima de fósseis. A comunidade científica ratifica que medidas precisam ser adotadas, como o cumprimento do Código Florestal, o que por si só reduziria em mais de 60% o desmatamento. Porém muito mais que esse percentual, há que preservar a totalidade desse imenso patrimônio, que não é apenas deste país mas da humanidade. A revelação dos cientistas é estarrecedora: se o ritmo da devastação for mantido, quase metade dos 3,3 milhões de quilômetros quadrados da floresta serão destruídos até 2050. Eles recomendam, ademais, uma revolução científica e tecnológica, com investimentos nos moldes do que foi feito com a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e com o Instituto de Tecnologia da Aeronática (ITA). A referência a essas instituições é porque a Embrapa propiciou um avanço extraordinário na pesquisa, resultando na potencialização da agricultura, e o ITA revolucionou a indústria aeronáutica brasileira. A revolução científica recomendada para a Amazônia ocorreria pela implantação de meia dúzia de instituições científicas fortes, pela formação de 3 mil cientistas e pelo desembolso anual de R$ 300 milhões para pesquisas na região, verba que sairia do Ministério da Ciência e Tecnologia, cujo orçamento é de R$ 2 bilhões/ano. Se o Brasil não quer que nações poderosas leia-se no topo da lista os Estados Unidos e organismos internacionais, continuem lançando as vistas sobre a grande floresta, com a ambição de apossar-se dela, deverá debruçar-se decididamente sobre a questão e não negligenciar com questão tão séria. E não apenas para evitar eventuais intervenções externas, mas porque a floresta não pode ser devastada, pois este é um hediondo crime ecológico e o governo está permitindo que ocorra.
É oportuno lembrar que as Forças Armadas são incumbidas da segurança nacional, e a preservação da Amazônia é mais que segurança interna, mas continental e mundial. São mais de 300 mil homens e todo um gigantesco arsenal fixo e móvel e ocupado mais com treinamento e menos com tarefas, como esta de cuidar deste riquíssimo e inigualável patrimônio. Parece que impera um excesso de zelo das autoridades maiores da República com relação às Forças Armadas, mas certamente que os comandos e todo o corpo da tropa apreciariam a execução da patriótica missão de guardar tão valioso bem da pátria. Se o Exército não o fizer, ninguém o fará.





