Necessidade de apoiar cerco contra o fumo
O que se espera do Governo é que, efetivamente, vá fechando cada vez mais o cerco contra o tabaco. Medida como esta de proibir os fumódromos - ainda um projeto de lei - é eficaz e se aprovada resultará em grande benefício, porque no mínimo livrará os não-fumantes do malefício causado pela fumaça, mais nociva que o próprio vício dos que fumam e tragam.
Conforme nota publicada ontem neste Jornal, esses recintos destinados a fumantes, dentro de empresas e instituições, parecem estar com os dias contados. O plano é proibir também o uso de cigarro, charuto e cachimbo em espaços coletivos públicos e privados.
A proposta abrange a proibição em bares, restaurantes e casas de shows, e isto significará a mudança de hábitos, resultando na melhoria do ar nesses ambientes e acima de tudo na prevalência do respeito àqueles que não fumam e sofrem pelo vício alheio. A medida já vinha tardando, e acredita-se que seja implantada, pois só os insensatos poderão ser contra. Mesmo fumantes inveterados, que declaram não conseguir abandonar essa dependência, admitem que o fumo lhes causa grande mal, assim como aos circunstantes, e não são contrários às leis restritivas.
Conclui-se que os mais conscientes, mesmo que escravos do fumo, devem considerar-se como doentes por conta do vício e necessitando de cura. Da mesma forma que os que se envolvem com o consumo de drogas e que têm grande dificuldade de abandonar esse mal. O fumo é uma questão de saúde pública, ademais por representar um alto custo social (que todos pagam) com tratamentos como o câncer daí decorrente, atrofias, invalidez para o trabalho, mortes. A Organização Mundial da Saúde mostra a estarrecedora estatística: 5,4 milhões morrem por ano, no mundo, em conseqüência dos malefícios do tabaco.
Esse elevado número de mortes, qualificadas como uma forma de suicídio lento porque as próprias vítimas as provocam é mais que a soma dos óbitos por tuberculose, malária e AIDS. E a triste perspectiva do mesmo organismo internacional é que, se a marcha não for contida, aquele número quase se duplicará nos próximos vinte anos. A preocupação é mundial, enquanto florescem as indústrias fumageiras e as plantações de tabaco, estas (também no Brasil) consideradas uma produção agrícola altamente rentável, recebendo inclusive orientação agronômica e tecnológica das instituições governamentais. Caracteriza-se aí até uma contradição com as medidas agora em elaboração, mas há que começar de alguma parte. É preciso dar apoio ao projeto de proibição que se esboça.





