Os cidadãos do Paraná certamente desejam saber quem compõe o quadro societário das empresas concessionárias do pedágio e qual a participação de cada sócio. Também gostariam de saber detalhes dos contratos assinados pelo governador Jaime Lerner, quais são as obrigatoriedades contratuais das signatárias e em que prazos devem ser cumpridos. Mais que isso, desejam ser informados do que foi realizado em forma de obras, que não sejam as praças arrecadadoras, as passarelas e a maquiagem das rodovias. Oito anos são passados, com quase 3 mil dias e noites de contínua arrecadação, e pouco ou nada se sabe acerca de todas essas coisas. Nem o DER, pelo que revelou na Assembléia Legislativa o deputado Durval Amaral, sabe dar a mais elementar das informações: quantos veículos passam por dia pelas praças de coleta e quanto já foi arrecadado até agora. Também não deve saber, com precisão, quais as duplicações feitas. Há uma nebulosidade total envolvendo o pedágio no Paraná, e nem o cioso governador Roberto Requião se manifesta. Um mar de mistério, só sabendo-se que milhões saem do bolso do usuário e vão sendo canalizados para as burras das concessionárias. Na época dos fatídicos aumentos, que ocorre em dezembro, o DER quer dar um porcentual e as empresas pedem mais, e a questão acaba na Justiça. Não se sabe que tipo de contratos tão complexos são estes, que não propiciam entendimento nem para a punhalada anual do aumento. Por enquanto, são 10,13%, que não batem com a tabela da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias. Uma coisa deixa perplexos os que leram ontem a declaração do diretor-geral do DER: ''O que fizemos foi usar o cálculo do reajuste do contrato, sem levar em conta o financiamento das obras''. O 'financiamento das obras' é o ponto, significando que as concessionárias estão incluindo na tarifa os custos dos empréstimos e investimentos, e o próprio diretor do DER atesta isso ao fazer menção pública ao 'financiamento das obras'. Então, se o usuário está financiando, ele deve ser incluído como sócio no negócio. A questão está exigindo um reexame por parte da advocacia do Estado, porque, embora existam contratos assinados, não se pode aceitar abusos e há que desvendar muitas coisas mal-explicadas. O negócio do pedágio é grande demais para correr solto dessa forma, sem controle, sem a própria parte contratante, que é o governo, saber a quantas andam as obras e nada ter em mãos para explicar ao povo.

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