Naufrágios no Brasil
Dois naufrágios, semana passada, no Brasil, chamaram atenção para um tipo de acidente que faz muitas vítimas. Dados do sistema Datasus, do Ministério da Saúde, apontam que de 2006 a 2015, 1.289 pessoas morreram em acidentes de transporte sobre a água. Pará e Amazonas concentram o maior número de vítimas fatais.
Na terça-feira (22), no Pará, uma embarcação afundou no Rio Xingu com 53 pessoas a bordo, 23 morreram e 30 conseguiram se salvar. Na quinta-feira (24), na baía de Todos os Santos, em Salvador, o naufrágio da lancha Cavalo Marinho 1 matou 18 pessoas, incluindo três bebês. O percurso era de 12 quilômetros, saindo da ilha de Itaparica para Salvador, viagem que é realizada diariamente por milhares de pessoas que procuram a capital da Bahia para trabalhar, estudar ou em busca de serviços de saúde.
Os três bebês que morreram viajavam com familiares justamente para consultas médicas. A imagem de uma das crianças, fotografada nas mãos de um socorrista, sensibilizou o país inteiro. A embarcação, com capacidade para 162 pessoas, levava um total de 124 pessoas, entre elas quatro tripulantes e quatro policiais militares.
Chovia muito e o mar estava agitado quando a lancha fazia a travessia. As fortes ondas que atingiram a embarcação a viraram e os passageiros foram jogados ao mar. As investigações não apontaram, até o momento, irregularidades na viagem. Mas o inquérito policial ainda não foi concluído.
O Ministério Público daquele Estado, porém, questiona a fiscalização do serviço e lembrou que desde 2007 alerta sobre o perigo da travessia em lancha da baía de Todos os Santos. Não dá pra dizer que as autoridades nada fizeram.
O governo estadual da Bahia anunciou, em 2008, a construção de uma ponte ligando a ilha a Salvador, com custo estimado em R$ 7 bilhões. Seria a segunda maior do país, perdendo apenas para a Rio-Niterói. Mas as obras nem foram licitadas.
No caso do acidente de terça-feira, a polícia do Pará vai indiciar Alcimar Almeida da Silva, o dono do barco Capitão Ribeiro. Para a polícia, não há dúvidas de que a vida dos passageiros foi colocada em risco, pois o barco não tinha autorização para fazer a travessia entre Porto de Moz e Vitória do Xingu.
É inaceitável que vidas de adultos, jovens e crianças sejam colocadas em risco diariamente, no Brasil, quando embarcam em ônibus, barcos, aviões ou qualquer tipo de transporte de passageiros mal fiscalizados. É um problema geral, de norte a sul do País. Assim como é inconcebível que a construção de obras importantes para a segurança da população não seja encarada como prioridade e saía do papel só depois de uma tragédia.





