Se o Natal frustrou o comércio, o Carnaval de 2012 deverá ser o mais otimista dos últimos anos. O motivo: em fevereiro, entra no bolso dos brasileiros que ganham salário mínimo o reajuste de 14,3%, passando de R$ 545 para R$ 622. Grande parte dessa diferença de R$ 77 na conta do trabalhador deve ir parar nas lojas. A população que usou o 13º salário para saldar dívidas, terá no aumento a chance de investir em produtos como vestuário e calçados.
O valor do novo mínimo nacional começou a valer em 1º de janeiro. O reajuste vai injetar na economia paranaense R$ 435 milhões mensais, quase R$ 54 milhões a mais do que em 2011, considerando apenas os aposentados e pensionistas que recebem benefício de um salário mínimo do INSS.
Ainda em relação ao Paraná, o índice poderá influenciar no aumento do mínimo regional, previsto para maio, que hoje varia de R$ 608,74 a R$ 817,78. Esse aumento pode provocar um efeito cascata que passa pela melhoria da renda, do consumo, gerando produção e empregos.
A expectativa da Câmara Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) é que o comércio cresça entre 4,5% a 5% em 2012. Os dirigentes da entidade também acreditam que a inadimplência sentirá os reflexos do reajuste e apresente uma queda nos primeiros meses do ano.
O otimismo da CNDL é positivo, mas governo e lideranças não podem perder de vista o risco de um alto endividamento da população. O problema chegou a ser tema de uma audiência pública há poucos meses no Congresso Nacional, mostrando que o endividamento da população brasileira cresceu de 14,6% em 2003 para 22,2% em abril de 2010. Basta lembrar que a inadimplência leva a uma redução de consumo e às consequências financeiras que isso pode acarretar.

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