Dizer-se que o Natal dos dias atuais é diferente do que foi no passado é algo repetitivo, mas deve-se sempre rememorar que antigamente a noite de véspera e o dia da celebração do nascimento de Jesus eram momentos de reverência e meditação, de fé e oração e de mais culto à espiritualidade. Os presépios, que faziam o encantamento das crianças e adultos, só são encontráveis hoje dentro de igrejas e pouco no interior das casas e nos jardins.
Se as ceias natalinas, a reunião das famílias e a troca de presentes são práticas salutares, raros são aqueles que se põem em silêncio por instantes e fazem preces de louvação à epopéia do Nascimento e de agradecimento pelo dom da vida; ou por mais um término de ano - e este se não foi bom para todos, ao menos foi o cumprimento de mais uma etapa. Mesmo os que passam por amarguras ou curando feridas devem celebrar a vitória sobre essa provação e saber que há uma proteção superior que guarda os homens.
A alegria pode instalar-se nos lares e nas agremiações mas não serão necessários os excessos de bebida e de tanta alimentação. Porque a hora convida para o convívio harmonioso, para gratas recordações dos que não se encontram mais presentes ou dos que estão distantes, e para gratidão pelas tantas coisas boas que também nos cercam e pela graça da existência. Não há que se desviar da figura central do Natal que é o Menino Jesus, que cresceu e deixou preciosos ensinamentos. Representações natalinas podem manifestar-se por imagens do Presépio, do Jesus homem, da mãe Maria, de José, dos Reis Magos. Nada de estranho ao episódio da Natalidade faz sentido. O retorno à cultura do verdadeiro sentido do Natal precisa converter-se num devotamento dos povos cristãos. E não apenas no reduto das famílias e nos locais públicos mas em todos os lugares onde houver presença humana, incluindo-se as casas de comércio, que nesta época de festas buscam intensificar as vendas. Certamente que a idéia de um Jesus benevolente também fortalecerá os negócios.
Será preciso afastar-se um pouco das turbulências e da intensificação da propaganda e devotar-se a uma trégua, para nestes momentos dar ouvidos ao coração - entenda-se os sentimentos da alma - que sempre tem muito a dizer a cada um. Que se dê lugar ao amor e à alegria, que haja confraternização, que se faça votos de perdão, que se robusteça a fé adormecida e que se cultive a esperança. Assim se celebra o verdadeiro Natal.

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