NATAL Comércio lucrará menos para vender mais
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sábado, 19 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo Para garantir as vendas neste fim de ano, grandes redes varejistas estão dispostas a abrir mão de parte das margens de lucro e absorver os possíveis aumentos de preços que forem negociados com fornecedores, evitando assim o repasse para o consumidor. A estratégia é compensar a redução no lucro com o aumento no volume de vendas.
A Casas Bahia, maior rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis do País, por exemplo, decidiu assumir o ônus de todos os aumentos de preços e de juros que vierem a ocorrer até a transição para o novo governo.
O diretor Administrativo-financeiro da empresa, Michael Klein, avalia que uma equipe de transição deverá tomar medidas capazes de controlar o câmbio e baixar os juros. Até lá, ele diz que as taxas de juros cobradas pela rede serão mantidas em até 4,5% ao mês, embora os bancos já tenham sinalizado uma alta de 0,5 ponto porcentual no custo do dinheiro.
Por enquanto, a Casas Bahia tem produtos em estoque que foram comprados sem reajuste de preços. Mas os fabricantes de eletroeletrônicos, que dependem de insumos importados e de crédito ao consumidor, pressionam por aumentos de preços de 20% a 30%. Para forçar o repasse dos custos, empresas do setor estão ajustando a produção para baixo.
Na mesa de negociações, no entanto, eles estão tendo de se contentar com bem menos. O supervisor-geral da Lojas Cem, Valdemir Colleone, conta que a rede tem conseguido negociar com a indústria o fornecimento de produtos com reajustes entre 3% e 5%. Dessa forma, a Lojas Cem vem mantendo estoques para mais de 60 dias de vendas.
''Não temos intenção de fazer nenhum repasse para preços, o momento é de sacrifícios'', diz Colleone. Para ele, qualquer aumento de preços nesta altura comprometeria ainda mais as vendas, que já estão fracas por causa dos efeitos negativos da alta do dólar e das restrições ao crédito. ''Estamos aguardando uma definição do quadro eleitoral para tomar medidas definitivas. Se o candidato que for eleito conseguir acalmar o mercado, vamos conseguir manter os preços atuais''.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, alega que as empresas do setor já não têm mais como absorver os aumento de custos. ''Estamos no limite, se não houver um ajuste mínimo nos preços vamos fechar mais um ano no vermelho''.
No setor de brinquedos, a situação não é muito diferente. Na semana passada, os fabricantes comunicaram o varejo que os preços de seus produtos estavam em média 6% mais caros, informa o diretor comercial da rede PBKids, Carlos Eduardo Cimerman.
Na mesma linha adotada pelas grandes redes de varejo de eletroeletrônicos, a PBKids também não pretende repassar o aumento para o consumidor. Cimerman avalia que a empresa conseguirá assimilar o impacto de um aumento de cinco pontos porcentuais nos custos sem prejudicar sua lucratividade. Para isso, ele conta com o aumento nas vendas para o NataL, que deverá ser ''muito bom''. ''Estamos nos preparando para vender de 10% a 15% mais do que no Natal do ano passado. Segundo ele, empresa pretende assimilar o impacto do aumento sem repassar nada para o consumidor. Eduardo Cimerman, que espera um Natal ''muito bom'', com vendas 15% acima do ano passado.


