O ano passou célere e já estamos, novamente, no tempo do Advento. É Natal. Momento de confraternização, de reencontros, de gestos renovados de solidariedade, de busca de reconciliação, de perdão, de afirmação do que é positivo, nos preparando para o balanço do ano que passou, com a expectativa de que o próximo ano seja de perspectivas mais promissoras.
É Natal. A febre do consumismo aquece o mercado. Os Shoppings Centers estão lotados, as casas iluminadas, as lojas repletas de gente, na azáfama característica desta época do ano. Todos querem comprar alguma coisa, dar uma lembrança a alguém, assegurar uma boa ceia. As crianças sonham com o Papai Noel, na esperança de obter alguma caixa de papel brilhante e colorido contendo a roupa da moda, ou algum badulaque tecnológico. É incrível como a maior festa da cristandade vai perdendo, aos poucos, a sua pureza original.
E então? O que tudo isto tem a ver com o espírito do Natal? Temos a impressão de que esta grande festa cristã vai se paganizando, aos poucos, num processo inverso do que ocorreu quando foi instituída. Isto porque, como explica Deonísio da Silva, em seu livro ''A Vida Íntima das Palavras'', ''Natal, do latim natale, declinação de natal, natalis, relativo ao nascimento. Era o nome de um deus romano que presidia ao nascimento de cada pessoa e a acompanhava a vida inteira''. A própria data para comemorar o nascimento de Jesus (25 de dezembro) foi escolhida para substituir uma outra grande festa pagã. Hoje, parece que estamos vivendo um processo inverso: a grande celebração cristã, vai, pouco a pouco, se tornando uma festa de caráter nitidamente pagã.
Pensando sobre os acontecimentos (e muitos dos sentimentos da atualidade), o papa João Paulo II chegou a afirmar que ''Deus está silencioso. Ele não aparece mais e parece ter se fechado lá no alto do céu, como que enojado das ações humanas''. Estas palavras do papa evidenciam bem o que vivemos atualmente.
O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, ''desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre mas somente a Deus Pai e ao senhor Jesus Cristo: César não é o Senhor''. O Natal deve ser vivido como um momento forte de oração e interiorização, arrependimento e penitência, transformação de vida, enfim, de conversão a uma vida moralmente melhor.
Que o nosso verdadeiro Salvador possa nascer no coração de todos aqueles que mantêm viva a fé no amor e no bem. Que o Natal possa ser feliz e santo para todos.
VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia em São Caetano do Sul

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