Nasce um novo MST?
Stéile teria dito: 'Hoje a ocupação de terras não soma aliados' e, portanto, não interessa mais.
Como companheiro e alguém que partilha do ideário do MST (Movimento dos Sem Terra), o ministro da Justiça, Tarso Genro, aprovou, ontem, a nova postura adotada pelo líder do movimento, João Pedro Stédile. E até arriscou alguns conselhos. Por exemplo, avaliou que a utilização de métodos de confronto direto só é justificável em regimes autoritários, quando ''os meios de luta são para corresponder ao regime''.
Tarde demais. A avaliação positiva do ministro chega num momento em que a sociedade tem um outro olhar sobre as pretensões deste movimento e movimentos correlatos, dissidentes ou não do MST. Ele já se desgastou o suficiente diante pelos métodos agressivos nas invasões - que, por mero eufemismo, alguns veículos de comunicação chamam de ''ocupação''. Cenas de ações dos seus integrantes publicadas nos jornais e na TV acabaram por decepcionar até mesmo os simpatizantes do movimento. E perante os defensores da reforma agrária a reprovação é mais explícita porque a prática do MST pode atrapalhar a consecução de um projeto eficaz e sério de reforma. O movimento perdeu o respeito.
Mas o ministro Tarso Genro fala o óbvio, ao pegar carona numa decisão do MST. ''No Estado Democrático - diz - a pressão, a persuasão e a negociação são mais eficazes'', comparou, ao comentar a mudança de estratégia indicada pelo líder do Movimento dos Sem-Terra, Stédile, nas formas de ação do grupo. ''Acho que João Pedro (Stédile) tem razão'', afirmou Tarso. O ministro participou de seminário sobre Metrópoles Solidárias, uma atividade paralela do Fórum Social Mundial Grande Porto Alegre.
Parece que houve um exercício de autocrítica ou autoanálise na corporação, a julgar pelo que diz o líder. Stédile declarou, em entrevista ao jornal ''Zero Hora'', que ''hoje a ocupação de terras não soma aliados'' e, portanto, ''não interessa mais''. Para ele, o movimento procura outras alternativas para conquistar aliados e a que se mostra mais compatível é uma aliança com trabalhadores das cidades. ''Nos anos 1970 e 1980 bastava ocupar terras e se conseguia apoios que resultavam em pressão política'', analisou Stédile.
Difícil é imaginar o movimento aglutinando simpatizantes com a arrogância que demonstra. Além disso, que resposta dará àqueles chefes de família humildes que, sonhando com um pedaço de terra, como dizem, lançaram-se de corpo e alma e enfretaram toda sorte de adversidades.





