Nas ondas da depravação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de agosto de 1997
Hermes Parcianello 
A degradação de costumes no Brasil, associada à pobreza e a falta de instrução, formam um elemento bombástico que ameaça as gerações do futuro. Por que? Porque vendem a imagem de uma falsa liberdade de costumes que não reflete de fato o pensamento, a tradição e o dia-a-dia da sociedade. É um conceito mentiroso, artificial, implantado gradativa, paulatina e eficientemente como um chip na mente da nossa população, principalmente da jovem.
Alguns dos maiores culpados da degradação de costumes no Brasil estão no departamento comercial de emissoras das grandes TVs. Afere-se por números dos medidores eletrônicos que a nudez dá audiência. Nudez e cenas de sexo tornam-se então componentes indispensáveis para que se venda qualquer coisa no Brasil. E as vendas modelam e definem a programação. E a programação modela e define os seres humanos.
Desde que uma falsa inteligência perniciosa e mal intencionada passou a refratar qualquer tipo de censura aos meios de telecomunicação, instalou-se no vídeo, com honrosas e raras exceções, uma licenciosidade grosseira, mentirosa, que deforma o caráter em construção, principalmente dos adolescentes, que estão na fase de absorção intensa de informações, de experimentação constante e, por consequência, de reprodução de hábitos, que, na verdade, por desfilar na tela diuturnamente como coisa aceita e fato comum, vão se incorporando à sua personalidade.
Liga-se a TV no domingo após o almoço com a família, e o que se vê? Apologia da nudez, apologia da nudez e apologia da nudez. Letras de músicas, danças, gestos obscenos são didaticamente repetidos nos vídeos e depois reproduzidos pelas nossas crianças, nos corredores dos prédios, nos playgrounds, no saguão dos colégios. E nas danceterias, pelos nossos adolescentes.
Inflama-se a sexualidade popular de tal forma, a qualquer hora do dia, a qualquer dia da semana, sempre e sempre. É uma lavagem cerebral sistemática esta tal de nudez na TV brasileira, nas letras das músicas, nos comerciais...
Por que nada se faz para barrar este processo? Até quando seremos arrastados por esta correnteza frenética que, como no filme The Wall, do grupo roqueiro Pink Floyd, está jogando nossas crianças e adolescentes num grande moedor de carne e transformando-os em soldados de um exército de homens sem princípios, sem ideais, sem certezas, sem metas...
Falo com a liberdade de um jovem de 38 anos, integrado ao mundo atual, que curte shows de música, teatro, dança, artes, praia, futebol, música do clássico ao rock, pessoa comunicável, cheio de amigos. Não sou um eremita rabugento, de mal com a vida, carregado de preconceito e ranço odioso.
Pelo contrário, sou um literário que acredita que o homem deve ser livre, um espiral em evolução constante.
Não o mero resultado de um efeito colateral de estratégias de marketing
bem-sucedidas em termos de venda.
Vamos deixar nossos jovens livres para escolher seus próprios caminhos. Vamos tirar o lixo da nossa TV e impedir que ele chegue às suas mentes.
Sexo, como tudo, deve ter horário e local. A nós cabe, e será cobrado, o destino de nossa Nação.


