Assim como não há vento favorável para o barco que desconhece o seu porto de chegada, poucas previsões, profecias, megatendências e futurologias têm chance de se realizar sem o esforço, o talento, o trabalho e a competência dos jovens. As chances reais de o País melhorar em todas as suas esferas estão na mão, na cabeça e no coração da mocidade trabalhadora, estudiosa, crítica, sábia e inteligente.
É engano, por exemplo, pensar que o estudante busca na universidade apenas formação intelectual e profissional. A educação superior é bem mais do que isso. A instituição de ensino superior é o local apropriado para a formação das mentes, dos corações e da consciência. Na PUC, nenhum jovem cola grau sem ter aprendido outras relevantes lições de vida, para a transcendência e para o relacionamento com o semelhante, além das lições das salas de aula e dos laboratórios e investigações de campo, na biblioteca, clínicas e outros centros de pesquisa.
Frente a um universo cada vez mais integrado, interdependente e sem fronteiras, estamos, sim, preparando o estudante para que ele possa sentir-se bem situado no Brasil e em qualquer parte do mundo. Para isso, adotamos abordagens metodológicas apropriadas de aprendizagem, meios multimídia, conteúdos didáticos modernos, projeto pedagógico avançado, oportunidades de atuação e participação em vários níveis, tudo para atingir objetivos educacionais de qualidade, dentro do clima de formação integral.
Comparado com outros países da América Latina, no momento, o Brasil necessita de um universo maior de bons profissionais e de líderes bem formados, cultos e éticos. Conceitos e hábitos de cidadania são aprendidos, adquiridos e exercidos na prática em favor dos mais necessitados. Manter contato supervisionado com a pobreza, a miséria e a ignorância é oportunizar excelente experiência educacional. Os deserdados da sorte têm muito a ensinar, não só a receber. Nessa condição, podem ser parceiros da formação.
É compreensível que o jovem busque ascensão social, cultural e econômica. Louvadas sejam a honestidade, a criatividade, a harmonia com a natureza e a competência! O que a humanidade condena e não aceita, em hipótese alguma, é ganhar dinheiro agredindo a ética, a moral, a degradação do meio ambiente. Alguma coisa precisa ser feita com urgência neste particular. Os contravalores propagados, diariamente, pelas diferentes mídias demonstram a gravidade da situação mundial e o desrespeito à vida e ao planeta.
A integração universidade-família-empresa é uma empreitada coletiva e institucional, imprescindível para o processo desembocar em questões práticas, adoção de uma filosofia de educação de excelência, afirmação de valores essenciais para a vida. Terá êxito o jovem que se preparar para ser mais do que cientista e técnico altamente especializado.
Igualmente essencial é preocupar-se em desenvolver valores humanos, qualidades e habilidades de construtor da nova sociedade. A sociedade e a empresa do futuro serão, necessariamente, mais éticas e humanizadas. A família, a escola e os meios de comunicação continuarão sendo por muitos decênios organizações destacadas de aprendizagem e de formação do caráter.
Os universitários de hoje e os profissionais de amanhã são parte integrante da sociedade das organizações, em constantes mudanças e ajustamentos às novas necessidades e demandas sociais. Como ocorre nas organizações, a juventude também terá que se adaptar à cultura dos novos tempos, lembrando que a cada dia nascem novas profissões e novas especializações. Para formar o cidadão do mundo e caminhar lado a lado com a sociedade sem fronteiras, a Universidade Católica firmou convênios com instituições de renome, estabelecidas em mais de 100 países dos cinco continentes.
Ao mesmo tempo que são oferecidos instrumentais e ferramentas intelectuais para a aprendizagem, o jovem que não desejar desperdiçar esforços terá que aprender a selecionar a informação e o conhecimento de que necessita para crescer na carreira e na vida. A universidade ensina a aprender a aprender. O crescimento acelerado do acervo de novos conhecimentos postos à disposição das pessoas exige criteriosa seletividade na escolha do que ensinar e do que aprender.
O jovem que visualiza horizontes coletivos, cultiva valores relevantes e capitaliza energias de forma sinergética consegue atrair afetividade e efetividade social. Não basta ter boas idéias e intenções honestas. É essencial temperar as ações com qualidade e não esmorecer diante da primeira pedra encontrada no caminho.
O crescimento pessoal e a segurança profissional dependem fortemente da ousadia, compartilhamento da ciência e da experiência, clareza de objetivos, argumentos e propósitos, abertura para participação e tomada de decisões, relacionamento cortês, mútua confiança entre os pares. Em suma, a boa liderança é uma combinação sinergética de arte, técnica, habilidade, poder de convencimento, capacidade de exercer influência positiva.
- CLEMENTE IVO JULIATTO é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e provedor da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba

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