Nas mãos da Copel o destino da Mata Dolarice
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de dezembro de 1996
José Tavares 
Contra fatos não há argumentos. Que o Paraná tem que se precaver e estar atento à necessidade de aumentar sua capacidade de produzir energia, de olho no futuro e as implicações tecnológicas que ele irá demandar, disso não temos dúvida e sempre apoiaremos.
Mas a questão do meio ambiente é o outro lado, aquele que não precisamos ser ecologistas de carteirinha para saber que exige muito cuidado e atenção das autoridades, no nosso caso, a Companhia Paranaense de Eletricidade, Copel.
A construção da hidrelétrica de Jataizinho e do Cebolão, especialmente a primeira, no Rio Tibagi, região de Londrina, é assunto que muito nos preocupa. Tanto que convidamos o presidente da Copel, Dr. Ingo Hubert, para vir à Assembléia Legislativa prestar alguns esclarecimentos à comissão de Meio Ambiente da Casa.
A Mata Doralice, razão deste artigo, corre o risco de ser inundada, perdendo-se uma das últimas reservas ambientais da região. A Mata Doralice representa importante e única área natural ainda intacta, preservada desde que se iniciou há décadas, o processo de colonização em Londrina e região.
Tem espécimes da natureza que, se perdidos, estarão definitivamente varridos do sul do país. Jataizinho, em que pese sua importância no aumento de produção energética, é a obra que paira como uma ameaça sobre a Mata Doralice.
O que estamos defendendo aqui é que esta reserva seja preservada, que as águas do Rio Tibagi, pelo impacto da hidrelétrica de Jataizinho, não cubram para sempre toda a riqueza vegetal e animal que ali se perpetuam, no compasso da natureza, por tempos imemoráveis.
É este patrimônio que devemos preservar, apelando à Copel para que faça um pequeno desvio no curso da obra para evitar essa tragédia ao meio ambiente da região. Nossa preocupação é que o Dr. Ingo Hubert tem dito que o impacto ambiental com a construção das hidrelétricas do Jataizinho e Cebolão, é praticamente nulo.
Praticamente, diz ele, admitindo que haverá algum impacto. E o receio de todos nós, da região, é que atinja justamente a Mata Dolarice, segundo o que teria sido apontado pelos estudos técnicos de impacto ambiental.
Aumentar em 10% a produção de energia no Paraná, percentual representado pela construção das duas hidrelétricas quando em funcionamento em 2.003, é uma performance de que todos nós, paranaenses, iremos nos beneficiar.
Mas ao custo de perder a Mata Dolarice poderá ser um preço alto demais. Os recursos naturais, todos sabemos, se submersos, não podemos recriá-los em laboratórios. Que a Copel então, atenda nosso apelo - que não é apenas meu, mas da comunidade londrinense e região - e altere um pouco seu projeto para salvar das águas a Mata Dolarice.
Que construa suas necessárias hidrelétricas, mas preserve para a nossa geração e todas as outras que virão, essa aula viva de botânica, esse pedaço de vida (e que garante também a nossa) que é a Mata Doralice.
- JOSÉ TAVARES
é deputado estadual pelo PMDB.


