Nardir Antonio Sperandio

No meio da tempestade
Tecnologia. Desregulamentação. Privatização. Globalização. Internetização. Digitalização. Hoje em dia, nenhuma empresa escapa incólume dessas forças, que se complementam e chocam em um turbilhão de mudanças. O ambiente de negócios está se movendo em alta velocidade.
No mundo de hoje, constantemente em transformações, não é suficiente reconhecer que você e sua maneira de fazer negócios precisam mudar. Você deve saber como fazer mudanças rápidas, efetivas e economicamente viáveis. Hoje, em todos os lugares, escuta-se a preocupação daqueles tentando se adaptar ao fluxo rápido criado por uma economia incerta, demandas de mercados sempre diferentes pela ameaça da competição internacional. As empresas preocupam-se em não poder acompanhar o ritmo e, todos os dias, outra empresa quebra, vítima do mito que o status quo ainda funciona. As mudanças vêm ocorrendo de forma veloz, imprevisível e sem precedentes na história da humanidade. Esse turbilhão de mudanças é caracterizado pelo caos nos mercados, por negócios que tentam se redefinir, por estruturas e esquemas administrativos que não funcionam mais e por práticas gerenciais que logo ficam ultrapassadas. Os futuristas já vinham observando a formação dessas nuvens negras há algum tempo. E os teóricos da área de administração inventaram termos para explicar e orientar essas mudanças: ‘‘mudança de paradigma’’, ‘‘transformação’’, ‘‘reinvenção’’, ‘‘reengenharia’’, ‘‘empresa enxuta’’, ‘‘revitalização’’, e tantos outros. Todos eles são apenas indícios sugestivos perdidos no meio de uma tempestade cujas origens estão ficando um pouco mais claras.
Há três forças impulsionadoras principais acelerando as mudanças: a tecnologia, o novo papel do governo nos negócios e a globalização. A tecnologia: um ‘‘banco virtual’’ com centenas de milhares de clientes não é muito mais do que um logotipo. Esse banco tem apenas uma rede eletrônica e seus clientes. Os produtos são fornecidos por outras empresas de serviços financeiros. Não há um edifício-sede, filiais, nem ‘‘tijolos e concretos’’. Uma pequena loja varejista familiar oferece seus produtos via internet, de negócio local para nacional. Uma editora de periódicos especializados está mudando o significado de publicação. Hoje 60% dos seus produtos são publicados no formato digital.
No que diz respeito ao papel da tecnologia da informação nos dia de hoje, é importante reconhecer que ela não está apenas mudando a forma na qual trabalhamos, ela está mudando a definição dos negócios.
Depois vem o Governo, que está repensando totalmente o seu papel na área de negócios. Em todo mundo, vê-se a desregulamentação, a privatização e um livre comércio cada vez maior: empresas de serviço de utilidade pública, antes protegidas agora estão sujeitas à concorrência aberta; empresas públicas se privatizando; queda de barreiras comerciais está permitindo que novos concorrentes entrem nos mercados e mudem as bases da competição. Todas essas e outras medidas às vezes quixotescas do governo estão forçando as empresas a repensarem seus objetivos, sua organização e sua maneira de gerenciar. E, pela primeira vez, algumas empresas estão tendo de aprender a concorrer.
Por fim, há o fenômeno da globalização: empresas de todos os cantos do mundo estão concorrendo para oferecer o mesmo produto ou serviço a qualquer momento, em qualquer lugar e com preços cada vez mais competitivos. A globalização está forçando as empresas a se organizarem de formas totalmente diferentes e ágeis. Por exemplo: multinacionais gigantescas como a ABB (Asea Brown Boveri) se tornaram globais de verdade, não tendo vínculo com nenhum Estado-nação específico. A ABB produz e vende em todo mundo. Uma empresa de softwares do Japão dirige um escritório virtual em New York. No Japão, representantes de serviços ao cliente atendem ligações dirigidas ao escritório de New York 24 horas por dia. Ao reduzir drasticamente o ciclo de novos pedido e empregar programadores locais mais baratos, a empresa consegue oferecer serviços de desenvolvimento de software mais baratos do que os dos seus concorrentes.
Os efeitos da globalização foram sentidos agora, no caso das bolsas de valores, que sacudiram a economia do mundo e sobretudo, a brasileira. O mundo virou um tabuleiro de xadrez. Uma peça mexida lá nos tigres asiáticos pode gerar consequências no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
Portanto, é inevitável concluir que todas as empresas e instituições estão no meio de uma tempestade, e a ordem é se redefinir e reposicionar frente a estes cenários extremamente dinâmicos. As forças estão agindo são convincentes demais para que se negue o futuro. As mudanças podem ser uma grande fonte de energia e uma força criativa, o que é bom. Na crise, nas mudanças surgem grandes oportunidades. Mas também há riscos. O efeito globalização, só para dar uma idéia, gerou a queda das bolsas de valores nos mais diversos países, gerou pacote do governo brasileiro, e agora o fantasma da demissão nas montadoras e outras tantas empresas. Esperamos que depois da tempestade venha a bonança.
- NARDIR ANTONIO SPERANDIO é consultor de empresas, professor universitário e de pós-graduação e assessor de Planejamento e Desenvolvimento da Unipar.

mockup