Não tem graça nenhuma
O que um homem faz em seus momentos de intimidade concerne unicamente a si mesmo. Mas há atos que, com base na moral, nos valores e/ou nos costumes de uma sociedade, são considerados condenáveis. Quando uma ação privada dessas vem a público, é natural que a sociedade reaja.
Foi o que aconteceu com a história do homem que ficou com um peixe preso no intestino. A forma como o animal chegou até lá foi motivo de gozação e muitos comentários, sem qualquer preocupação em saber quem foi. E, de certa forma, pode até ser considerado ''natural'' que essa história tenha virado piada; historicamente, o humor sempre se pautou pelo diferente, pelo ridículo e pelo grotesco.
O problema é quando os comentários deixam de ser engraçados para se tornar ofensivos. E a ofensa não precisa necessariamente de um nome e sobrenome para ocorrer. No caso da piramboia, bastou um vídeo, primeiro compartilhado internamente e posteriormente divulgado no YouTube. O vídeo é claramente uma violência contra o paciente, que, mesmo não identificado, teve seu direito à privacidade dentro do hospital desrespeitado.
As imagens mostram ainda várias pessoas (enfermeiros?, auxiliares?, internos?, parentes?) dentro da sala de cirurgia, assistindo a tudo, e ainda registrando com seus celulares, o que causa uma péssima impressão sobre o profissionalismo dos que trabalham lá dentro. E isso em um hospital que já teve a imagem abalada por pelo menos outros dois casos emblemáticos - o dos comentários racistas no Orkut e o dos fogos de artifício dos formandos estourados no Hospital Universitário.
Pela terceira vez, então, o HU tem sua história manchada por um triste episódio, que prejudica principalmente quem diariamente luta para fazer um bom trabalho lá dentro. O caso é um alerta também para a falta de limites de quem compartilha conteúdos pela internet. Mas, principalmente, evidencia a falta de respeito e de ética com que alguns profissionais tratam os cidadãos que buscam atendimento à saúde.





