Não sou mais ponto de referência
Reduzir o peso de 132 quilos para 64 pode parecer impossível, mas foi exatamente isso que aconteceu com Fernanda Loureiro Costa, 24 anos, após passar por uma cirurgia de redução do estômago há pouco mais de dois anos. Ela recorda que desde os 9 anos já fazia regimes e chegou a ficar um ano internada em um SPA em 1996. ''Cheguei a emagrecer 30 quilos mas recuperei tudo em dois meses'', relata.
Cansada de não obter um resultado satisfatório ela decidiu fazer a cirurgia de redução do estômago. ''O médico (do SPA) me disse que era minha última chance'', diz. Mesmo sem muita coragem, Fernanda procurou um médico e conta que 15 dias depois da consulta fez a cirurgia. No dia anterior, porém, aproveitou para comer tudo o que podia. ''Falava, se eu morrer na cirurgia, vou morrer feliz''.
O dia seguinte à operação não foi dos melhores. ''Foi horrível, acordei na UTI e cheguei a me arrepender porque doía muito'', lembra. A fase de adaptação com o novo estômago também não foi tão simples. Ela diz que quando comia muito rápido e além do que devia sentia um mal-estar, o que fez com que praticamente eliminasse a carne de seu cardápio. ''Acabo comendo muita bolacha e coisas de fácil digestão, sei que devia me alimentar melhor'', confessa.
Mas hoje a briga com a balança é quase coisa de museu, apesar do medo de voltar a engordar atormentar um pouco a cabeça de Fernanda. Aliás, o novo corpo trouxe nova vida e muitas descobertas. ''Conforme eu fui emagrecendo, foram aparecendo ossos que eu nem sabia que tinha. Aliás, eu nunca tinha visto um osso no meu corpo. Ficava olhando no espelho para saber se eles estavam no lugar e às vezes até doía quando encostava em algum lugar ou dormia de lado. Pensava comigo, 'como magro sofre''', comenta entre risos.
O novo visual ainda assusta e ela revela que quando vai comprar roupa sempre acha que não vai servir. ''Já até apostei com um vendedor e no final a roupa serviu''. Não é para menos. Hoje Fernanda tem manequim 40, mas já chegou a vestir 56.
Ela confessa ainda vários medos que tinha quando estava acima do peso. ''Não passava em roleta e morria de medo de cadeira de plástico porque já caí várias vezes'', revela. Atualmente, sua maior alegria é passar em ''cantinhos'', principalmente entre as cadeiras dos bares. Outro desejo realizado foi o de usar vestido, meia-calça e salto alto. E ela desabafa: ''hoje não sou mais ponto de referência''.
O sucesso da cirurgia faz com que Fernanda queira ajudar as pessoas que enfrentam o mesmo problema que ela já passou. ''Vejo pessoas gordinhas na rua e tenho vontade de parar para conversar, mas se alguém fizesse isso comigo eu ia me sentir ofendidíssima, por isso procuro falar sobre o assunto perto da pessoa e se ela perguntar eu conto como foi'', afirma.





