Não é a transparência anunciada que se precisa na Assembleia Legislativa do Paraná e sim um substancial corte de seus custos. Porque tudo já está mais que transparente e já se sabe que os ganhos dos parlamentares são altos, que eles consomem grandes somas com passagens aéreas, telefone, moradia, hotéis, refeições, correspondência, uso de veículos, impressos, manutenção de escritórios e todo o material de expediente. E mais a existência despropositada dos 2.458 funcionários, correspondendo a 45,5 cada um dos 54 deputados.

A situação não é apenas do Paraná mas do sistema, e vincula-se ao que é praticado no Congresso Nacional. O alardeado pacote de transparência que os deputados estaduais paranaenses ora aprovam tem apenas efeito cosmético e vai mudar quase nada. Porque se a transparência estabelece alguns limites, autoriza outros tipos de gasto.

O indicativo e que tudo ficará como está quanto à gastança. Apenas alguns itens pontuais mudam, mas no geral o numeroso contingente de funcionários permanece e as atuais despesas de custeio idem. Perante a opinião pública os gastos altíssimos já são de conhecimento do povo. Talvez só os parlamentares não saibam que gastam tanto. Acrescente-se a isto as histórias de corrupção, do tipo mensalão e as benesses sempre denunciadas no sistema parlamentar brasileiro. O permissivo gasto do Congresso é que nivela a equivalência nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores. Por isso navega nessa mentalidade a declaração de um deputado estadual paranaense de que a Assembleia foi além das recomendações constitucionais, querendo sugerir que foi generosa.

Não é a ficha cadastral dos funcionários a serem contratados (prevista na ''reforma'') o mais importante e sim o exagerado número deles. Se é necessário divulgar na internet o valor das verbas indenizatórias, mais importante é a utilização delas no estritamente necessário. Algo que seja na mesma proporção do quanto ganha um trabalhador, do volume da comida do operário em sua marmita, do regime de economia de uma empresa e de quantos obreiros o empresário precisa em seu negócio. Nos núcleos do poder os cálculos são superlativos, porque são os outros que pagam a conta. Estes são os cidadãos.

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