Não se pode falar em legalização sem arrumar a casa
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 2014
Rubens Chueire Jr. Reportagem Local 
A polêmica sobre a legalização da maconha ganhou novamente espaço na mídia no final do ano passado após o Uruguai se tornar o primeiro país da América do Sul a liberar o plantio, uso e comercialização controlada da planta. O projeto foi aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente José Mujica. É a primeira vez que um país da região adota uma lei que não é punitiva sobre o produtor e o usuário da droga.
Nos Estados Unidos, o uso recreativo ou medicinal já é liberado em Estados como Califórnia, Colorado e Washington. E o Brasil? Está preparado para legalizar a maconha? Para a doutora em Educação, pesquisadora e representante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas (Conesd), da Secretaria Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), Araci Asinelli da Luz, enquanto não houver uma mudança de mentalidade e de políticas por parte do poder público, priorizando a qualidade de vida da população e a redução das desigualdades sociais, não se pode pensar em legalização.
Por que a senhora é contrária à legalização da maconha?
Sou estudiosa da temática das drogas e meu campo é educacional e da saúde. A primeira coisa que reconheço é que, independentemente da legalização ou não, o que a gente tem que entender é que substância é essa. Embora já seja utilizada de maneira medicamentosa, (a maconha gera) mais danos do que benefícios. Reconheço seus efeitos medicamentosos, mas também temos que avaliar o histórico da maconha, a forma como ela chega à sociedade. Hoje está difundida numa sociedade completamente descompromissada com qualquer tipo de valor. E, além disso, nós temos uma política de saúde que não acolhe as necessidades de quem vai utilizar a droga com uma maior frequência.
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