Na última segunda-feira (7), o prefeito de São Paulo, João Doria, foi a Salvador receber o título de cidadão soteropolitano, por iniciativa do prefeito ACM Neto (DEM). Antes de entrar na Assembleia Legislativa, Doria foi alvo de uma saraivada de ovos que logo repercutiu nas redes sociais. O prefeito de São Paulo tem sido alvo de críticas por algumas ações desde que assumiu o cargo, dentre elas, a remoção de moradores de rua e dependentes de crack dos espaços públicos por métodos nem sempre ortodoxos. Acusam-no de ser violento no tratamento destas questões. Na verdade, pesa também o fato do prefeito ser do PSDB no momento em que o país se divide por siglas, tendo de um lado liberais e de outro esquerdistas em movimentos de choque. Mas o que chama a atenção neste tido de protesto é também a falta de ortodoxia. Atirar ovos e tomates em desafetos é costume antigo. Em Buñol, na Espanha, desde 1945 acontece a Tomatina, uma espécie de farra pública que consiste em usar tomates como arma contra os "inimigos". Do tomate aos ovos é um passo, apenas trocam a munição em caso de guerrilha cultural ou política. No Brasil contemporâneo, a guerrilha é francamente política e parece que está se firmando um tipo de protesto que já está sendo chamado de "Revolta dos Ovos", desde que no casamento da deputada estadual Maria Victória Barros (PP) - filha do ministro da Saúde Ricardo Barros - a tradicional chuva de arroz foi substituída por uma chuva de ovos em Curitiba. Independentemente dos "alvos", a moda parece que veio para ficar e anteontem, na manifestação contra Doria, os vídeos mostraram nas redes sociais um fato interessante: tão logo começaram os ataques à base de claras e gemas, alguns seguranças do evento já circulavam com guarda-chuvas. O dia havia sido de chuva fraca em Salvador e, pelo sim, pelo não, os seguranças foram bem prevenidos. Também se notou que o grupo de atiradores de ovos era bem pequeno. A Frente Brasil Popular - que organizou o protesto e reúne movimentos sociais ligados ao PT - negou que a iniciativa tenha partido dela. De qualquer forma, cabe ressaltar que apenas um ovo acertou Doria em cheio. O Brasil continua dividido: enquanto uns apoiam, outros condenam este tipo protesto inofensivo. Melhor usar ovos do que rojões, gás lacrimogêneo ou balas de borracha. Mas uma coisa é fato: parodiando um ditado popular, atualmente no Brasil não se faz política sem quebrar os ovos. Os granjeiros – e só eles – agradecem.

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