Não se antecipar à Justiça - Farage Kouri
Farage Kouri
A criação de uma Comissão Processante contra o prefeito Antonio Belinati, que deverá será votada na tarde de hoje, na Câmara, poderá mudar o rumo da história política de Londrina. A posição do PFL tem sido bastante clara sobre o assunto: qualquer indício de improbidade administrativa deve ser averiguado e levado a julgamento. Mas o coro que pede o impeachment já do prefeito um coro tantas vezes bradado por bandeiras esquerdistas ávidas de assumir o poder parte de uma pré-condenação.
Há dentro do grupo pró cassação pessoas motivadas por interesses puramente políticos. E isso é inegável, apesar do esforço de alguns em provar o contrário.
Nem por isso haveremos de desconsiderar o pedido de abertura da CP. A solicitação das 87 entidades que assinam o documento pedindo que a Câmara institua a Comissão Processante tem de ser considerada, mesmo porque nem todas desejam a condenação pura e simples do prefeito. Querem apenas que Justiça seja feita. E o mesmo espera a bancada do PFL.
Ninguém questiona que é indispensável esclarecer os fatos, punir os culpados e devolver ao município o que lhe foi tomado. Mas aprovar uma Comissão Processante contra o chefe do Executivo antes que se comprove seu envolvimento no caso é precipitação, é antecipar-se à Justiça. E espero que Londrina tenha discernimento para reconhecer isto. Principalmente os vereadores.
O que temos até o momento são acusações feitas por um réu confesso que, além de tudo, vem recuando em várias de suas denúncias. É com base nisto que devemos nortear nossa conduta no caso. Certamente este homem esteja agora comemorando uma vitória. Pois apesar de carregar nos ombros o peso da punição que a Justiça lhe reserva, atingiu um de seus objetivos mais nítidos: envolver o nome do prefeito.
O fato é que a Câmara está em situação muito delicada. De um lado sente-se comprometida em atender à reivindicação de um número tão expressivo de representantes da comunidade. De outro, corre o risco de errar severamente se optar pela cassação e a Justiça comprovar depois que Antonio Belinati não deve ser responsabilizado pelas irregularidades.
É sobre estes pontos que conclamo todos a refletir antes da sessão de hoje da Câmara. E faço isso porque, acima de qualquer compromisso político, sou cidadão londrinense e tenho compromissos com minha cidade.
Não é por oportunismo que condeno a criação de uma Comissão Processante, e certamente esta também é a posição dos vereadores da bancada do PFL. Entendemos que devem prevalecer apenas a ética e o bom senso. E o único caminho coerente é apurar os fatos antes de decretar uma sentença. Pois é assim que a Justiça opera. E, se através da Justiça ficar comprovado o envolvimento de Antonio Belinati, nem será preciso cassar seu mandato. Porque certamente ele próprio irá apresentar sua renúncia.
Fiquemos atentos: este é um ano eleitoral, e as manifestações solicitando a cassação do prefeito partem, sobretudo, de segmentos de coloração partidária. O jargão impeachment já é uma marca registrada. Nem há como disfarçar sua origem.
A Câmara dos Vereadores deve, sim, ouvir o clamor da comunidade, mas uma decisão tomada de afogadilho, movida, eventualmente, pelo emocionalismo deste momento, poderá resultar em erro irremediável. E não é isto o que os cidadãos conscientes desejam.
Parece cedo, ainda, para que a decisão seja entregue à Câmara, porque o processo mal inicia sua caminhada na Justiça, encontrando-se ainda na esfera da Promotoria Pública.





