Não quero mais ser chamado de baleia, orca
Para conseguir readaptar a dieta, é preciso primeiro querer, e para a endocrinologista pediátrica Sandra Marcantonio, o fator determinante é estimular a auto-estima da criança. ''Quando elas falam 'não quero mais ser gordo, não quero mais ser chamado de baleia, orca' e outros apelidos, fazer as trocas é muito tranquilo porque ela está motivada'', explica.
O fato de serem chamadas de gordas incomodava as gêmeas Natália e Gabriela. ''Era horrível'', disse Natália. ''Sem contar a roupa que é muito difícil para comprar. Elas só voltaram a usar calça jeans, por exemplo, agora. A gente acaba sofrendo junto'', completou a mãe. Hoje as duas são elogiadas na escola. ''O doutor (Costa) falou para a gente que a balança é amiga'', disse Gabriela.
Ser chamado de gordo e ser o último a ser escolhido nos times das aulas de educação física motivou Jorge Eduardo Cabral de Oliveira Manuel, de 11 anos, a querer emagrecer. ''Meus amigos 'zoavam' comigo'', disse Jorge Eduardo. ''Na época ele disse: 'não quero ser Papai Noel, Buda, Rei Momo'', contou a mãe, a dentista Maria Helena Cabral de Oliveira.
Maria Helena procurou um endocrinologista e levou um susto: o colesterol do filho estava alterado. ''Eu fiquei preocupada, ele sempre praticou esportes, tênis e futebol, além de brincar na escola, mas, do ano passado para cá, começou a engordar demais'', contou.
Como o garoto já praticava esportes, as mudanças aconteceram na alimentação. As verduras e legumes passaram a fazer parte do cardápio e os dois pratos bem servidos de massa substituídos por um de arroz, feijão e carne. O resultado veio rápido: 10 quilos a menos em menos de quatro meses. ''O mais difícil foi controlar o doce, que sempre tinha em casa'', disse Maria Helena. Hoje, Jorge Eduardo já come até chocolate diariamente, mas sempre em porções pequenas. ''Hoje ele se tornou exemplo para nós adultos e até eu estou emagrecendo'', elogia a mãe.
Para incentivar a neta Maria Eduarda Dinardi Mardegan, de 9 anos, a emagrecer, a avó, Maria de Lourdes Espírito Santo Mardegan, começou a acompanhar a menina na reeducação alimentar. Além do resultado positivo para a neta, Maria de Lourdes também emagreceu 10 quilos. ''Todo mundo come igual e a alimentação ficou mais saudável. Foi muito bom para mim e meu marido, e muito importante para ela'', afirmou. Para Maria Eduarda o resultado foram quilos a menos e muito mais auto-estima. ''Hoje ela está feliz, gosta de se arrumar para ir a festinhas e se conscientizou'', comemora a avó.





