''É chegado o dia. Bem-aventu rados os que che gam. Não nos desencaminha mos na longa marcha, não nos desmoralizamos capitulando ante pressões aliciadoras e comprometedoras, não desertamos, não caímos no caminho.'' (Ulysses Guimarães). Não devemos vender a Copel. É competente. É competitiva, É altamente lucrativa. É estratégica.

A sua própria existência, o seu caminhar de quase 50 anos, mostra a sua competência. Demonstrada não só no Brasil mas também em outros continentes. Grande formadora de mão-de-obra especializada, de técnicos e engenheiros de altíssima qualificação repassados ao parque industrial paranaense e brasileiro. Tem imenso domínio sobre a tecnologia de construções, manutenção e operação de sistemas.

Afirmam os vendilhões, perdão, aqueles que querem vendê-la, que não é competitiva. Mas como? Gera energia barata, a mais barata do mundo, limpa, não poluente, e renovável. Tem milhares de quilômetros de linhas de transmissão e mais de 150 mil quilômetros de linhas de distribuição de energia. Possui milhões de consumidores. Isto a torna extremamente competitiva ainda mais que financeiramente exibe invejável saúde.

Quem não gostaria de ter em suas mãos a Copel com seus compromissos praticamente amortizados, suas usinas produzindo energia barata e alcançando significativa rentabilidade? No último ano, expressivo lucro de R$ 430 milhões. Com energia escassa, com demanda forte, os lucros da Copel certamente serão multiplicados.

Com a Copel sob domínio público, podemos pilotar um sistema que nos dará vários anos de folga para tomarmos decisões, administrando com segurança, qualquer descompasso entre oferta e demanda. Estrategicamente podemos determinar o nosso amanhã. Quem não tem energia não tem futuro.

Mesmo nos Estados Unidos, o sistema de geração elétrica permanece sob controle estatal, parte dele operado diretamente pelo Exército. Há necessidade de preservar nas mãos do Estado o núcleo estratégico do sistema energético. Se não for assim, o Estado pode parar. Mantendo a Copel teremos o controle das hidrelétricas, das reservas de água, com as inevitáveis implicações diretas sobre abastecimento, irrigação agrícola, pesca, meio ambiente, navegação dos rios, sobre a biodiversidade.

Ano que vem, nas urnas, o povo brasileiro derrotará o neoliberalismo criador de fome, miséria e desemprego. O desmonte do patrimônio público será contido. Resoluções, antinacionais, como a 2668 do Banco Central impedindo o BNDES de conceder financiamentos a estatais, serão pulverizadas.

O FMI, nos seus acordos com o Brasil, proíbe que se faça esse tipo de investimento que, na sua ótica contábil, é tido como gasto que gera déficit público. Financiar com dinheiro público os estrangeiros pode. As estatais nacionais não. Socorro! É preciso ter um pouco de vergonha na cara! É insustentável.

O próprio governo já recua. Interrompeu o processo de privatização de Furnas. Em São Paulo, o governador suspende a venda da Cesp-Paraná. Lá fora, o Canadá não venderá mais suas empresas e na Califórnia o Estado recompra as empresas que tinha privatizado e que provocaram o maior apagão do mundo.

O povo do Paraná nos manda, a nós deputados, que executemos um dever: não vendam a Copel! Ecoam na Assembléia as determinações dos paranaenses, através das posições tomadas por mais de 400 entidades, proibindo a venda da empresa, e por milhares de assinaturas de eleitores que apresentaram o projeto de iniciativa popular objetivando o mesmo fim.

Dificilmente se encontrará na nossa história manifestação tão clara, quase unanimidade! Afinal de contas, não é brincadeira. São 9 milhões de pessoas de um mesmo lado, querendo a mesma coisa. É acachapante. É preciso ter sensibilidade de pedra para esbofetear dessa maneira, como está fazendo o governo Lerner, a vontade do povo.

Durante quase meio século o Paraná se dedicou a construir a Copel. Gerações variadas com talento e muito esforço, sob o comando de todos os seus governadores, ergueram a maior e mais rentável empresa do Estado.

Somente o grupo minoritário que ocupa o Palácio Iguaçu quer vendê-la. Isolados, com flagrante minoria nas ruas, perseveram na insana empreitada.

O governo do Estado quer transformar a privatização da Copel numa simples operação financeira para cobrir rombos de caixa. Gastou mal os recursos públicos como todos sabem e agora, a não ser vendendo a Copel, não tem como atender os indecentes pleitos fisiológicos para tentar chegar ao segundo turno das eleições de 2002.

Não é possível que milhões sejam derrotados, com escárnio, por poucos afastados da manifesta vontade paranaense. Vender é um péssimo negócio. Em todos os aspectos. Moral e eticamente é um desrespeito aos paranaenses, legítimos donos da Copel. Vender é traição. Faz escuro mas eu canto, ainda cheio de esperanças.



- WALDYR PUGLIESI (PMDB) é deputado líder da oposição na Assembléia

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