Em meio à inquietação que assola a pecuária brasileira, por conta da febre aftosa, um mal que não pode ficar fora de foco é a ameaça da gripe aviária, esta infinitamente mais grave, porque atinge também as pessoas. Se a doença tem cura, tanto dos humanos como das aves, poderá escapar do controle se houver disseminação simultânea pelo mundo. Casos de contaminação animal já aconteceram na Rússia, Romênia, Turquia, China e Inglaterra, e ontem anunciou-se que ave selvagem capturada no Canadá portanto já na América está contaminada pelo vírus, o H5. Mas a estatística assustadora é que o número de mortes de pessoas, desde 2003, já chega a 60 (todas na Ásia), em consequência dessa virose. A boa notícia é a do desenvolvimento de uma vacina eficiente, já aprovada. No Brasil, onde no momento impera o alarma com o caso da aftosa bovina, o Ministério da Saúde anuncia que irá reservar R$ 1 bilhão para o combate à gripe aviária nas pessoas, caso ela chegue ao País, mas se o volume de dinheiro é grande, apenas dará para vacinar 9 milhões de indivíduos, no período de um ano. A maioria dos casos da denominada gripe do frango está vinculada diretamente ao consumo de carne mal cozida de aves infectadas, não havendo risco se o cozimento for pleno e a carne desossada. Nada se anunciou, no Brasil, sobre a prevenção no caso das aves, uma incumbência do Ministério da Agricultura e Pecuária. Como um longo caminho separa o anúncio da destinação dessa verba e a sua liberação, paira sempre uma preocupação sobre a ação das autoridades, porque quem decide pela abertura do cofre é o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ele (sempre ele) tem mostrado resistência quanto a esse movimento, em muitas ocasiões. Uma delas o caso da retenção da maior parte da verba orçamentária para o combate à aftosa. No caso da gripe aviária, a promessa ministerial é que também haverá campanha educativa e de prevenção, mas isto já deveria ter se iniciado, porque prevenir como diz a palavra é tomar providências anteriores e não depois que o mal se instala. O temor é que a gripe chegue por meio de aves migratórias, provenientes do hemisfério norte, por isso todos os cuidados possíveis devem ser tomados pelos criadores de aves as de consumo e as ditas ornamentais sabendo-se que não é coisa tão fácil. Mas o Ministério da Saúde precisa iniciar sem demora a parte que lhe compete, que é a vacinação da população, um procedimento que precisaria abranger também os demais países do continente. Ademais, sabe-se que o efeito da imunização não é imediato. Incumbe perguntar também aos membros do Congresso Nacional se estão atentos à ameaça dessa doença e se pretendem cobrar a liberação imediata da verba anunciada. Os denominados representantes do povo nunca se ligam em problemas desse gênero, parecendo que não lhes cabe responsabilidade alguma. Se o mundo inteiro está preocupado e vigilante, incluindo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil precisa seguir essa corrente e imunizar-se o mais urgente possível, por via da vacinação das pessoas e da prevenção no caso das aves. Que ao menos isso o Governo faça, antes que a eventualidade de um novo mal em meio aos que já bastam venha a assolar este país, onde tanto imperam o desleixo e o desatendimento.

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