Não mudar nomes e retomar os antigos
A seção de opinião dos leitores, nesta página, mostra uma maioria de posições contrárias à mudança do nome da Avenida Dez de Dezembro, em Londrina, também conhecida como Via Expressa. O projeto do vereador-suplente Marcos Defreitas é mudar a denominação para Avenida José Richa, porque foi o então prefeito (mais tarde governador) que construiu 90% da obra, depois que o prefeito Dalton Paranaguá iniciou a duplicação num trecho da extremidade norte. Quando Richa encerrou o mandato faltava pouco para terminá-la e o prefeito Antonio Belinati a concluiu e chamou para o ato inaugural o principal executor da obra, para que fosse ele o recebedor do mérito.
É inoportuno ocupar-se dessa mudança de nome, porque o atual foi dado pelo próprio Richa, em homenagem à data de aniversário de Londrina. Nesse mesmo embalo das opiniões manifestadas, seria oportuno um vereador apresentar proposição para retomar os nomes originais das ruas Minas Gerais e Ceará, alterados para ruas Abilon de Souza Naves e Hugo Cabral. Os dois Estados foram varridos como nomes de ruas (a Minas Gerais ficou lembrada apenas em pequeno trecho). Depois do Estado de São Paulo, foi Minas que enviou mais desbravadores para cá nos tempos da colonização, e muitos outros mineiros continuaram chegando e formam hoje uma grande família de co-estaduanos e seus descendentes. O nome da rua Ceará foi dado também para homenagear os tantos cearenses que vieram para Londrina, nos primórdios.
O município teve quatro mandatos de prefeitos mineiros: duas vezes Milton Ribeiro Menezes, depois José Hosken de Novaes e Wilson Moreira. E um prefeito cearense, Hugo Cabral, justamente o nome dado à rua Ceará com a mudança. Mas, se vivo estivesse, Cabral com toda a certeza desaprovaria a alteração, porque preferiria a homenagem a toda a gente de sua terra que aportou em Londrina e outras cidades norte-paranaenses.
Quem conhece a história de Londrina sabe que os colonizadores ingleses, para homenagear as gentes do Brasil inteiro, deram às ruas os nomes de todos os Estados então existentes. Esta foi uma marca forte de Londrina. Vereadores alteraram isso e prefeitos vieram também mudando as característas da Praça Floriano Peixoto que as pessoas também mencionam como Praça das Bandeiras e descaracterizaram a bandeira inglesa no chão que estava ali em forma de estrias e flores. Foi uma marca da companhia de terras, que implantou em quatro cidades da região (Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama) uma honesta e inigualável formação agrária.
Os ingleses cuidaram também de trazer infra-estrutura adequada para o projeto dar certo (como a estrada de ferro), o que faria de Londrina a metrópole de hoje e viria a desenvolver também as outras três cidades. Não por acaso elas formam quatro grandes pólos, todas numa distância calculada de 100 quilômetros entre si. Alguém, certamente, também irá reagir hoje a um retorno dos nomes antigos das ruas citadas, mas a volta ao que era é coerente com o pensamento dos que agora não desejam mudar o nome da Avenida Dez de Dezembro.





