Nem a merenda das crianças escapa da ação de estelionatários. Graças a uma nutricionista da prefeitura de Cambé, na Região Metropolitana de Londrina, um esquema que coloca em suspeita a qualidade dos alimentos servidos nas escolas foi desvendado pela Polícia Civil. A funcionária do município estranhou o cheiro forte da carne que foi entregue e devolveu para que fosse trocado. Quando recebeu a mercadoria de volta, ela percebeu que os números de identificação dos rótulos eram os mesmo de outras cargas. A nutricionista entrou em contato com o Ministério da Agricultura e com o frigorífico e o erro foi descoberto. A polícia, então, foi acionada pela prefeitura. O problema estava na empresa distribuidora da carne, que adulterava o rótulo de procedência e entregava um produto de baixa qualidade. Durante a investigação, os policiais encontraram 94 quilos de carnes com o registro falsificado dentro de um veículo da empresa. E na sede da distribuidora, descobriram mais 607 quilos na mesma situação.

Ao município, não restou outra saída a não ser romper o contrato com a distribuidora e começar a preparar uma segunda licitação. Com as atividades escolares em andamento, espera-se que o estoque nas escolas seja suficiente para atender as crianças até o processo licitatório ser concluído.

A merenda escolar é um direito importante para os estudantes, garantido pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, que completa em 31 de março 64 anos de existência. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que gerencia o programa, trata-se da mais antiga política pública de segurança alimentar nutricional do País. A importância da merenda escolar para os alunos das escolar públicas é inquestionável. Contribui para o crescimento, desenvolvimento, bom rendimento escolar e a despertar nas crianças hábitos alimentares saudáveis.

Em comunidades pobres pelo Brasil, a refeição que muitos alunos recebem nas escolas é a mais importante e completa do dia. Estelionato é um crime grave em qualquer área, mas quando envolve merenda causa indignação entre a população. O caso de Cambé será investigado e espera-se que seja esclarecido em breve. Fraudar a alimentação servida nos colégios é desrespeito à criança e à educação básica - um setor já tão carente de atenção e recursos.

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