Não há nada mais moderno que o cooperativismo de crédito
Com mais de 150 anos, o cooperativismo de crédito trazido para o Brasil por iniciativa do padre suíço Theodor Amstad - contribui para o desenvolvimento socioeconômico em muitas nações, de todos os continentes são 68 mil cooperativas de crédito e 235 milhões de associados ao redor do planeta, responsáveis por U$ 1,4 trilhão em depósitos, conforme dados do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu, em sua sigla em inglês).
Então, nos perguntamos: esse modelo inspirador, transparente e centrado no ser humano e na cooperação entre pessoas, cujos recursos gerados pela cooperativa de crédito a qual se associam permanecem na sua região de origem, distribuindo riqueza e criando empregos nas comunidades, não teria mais espaço para crescer no Brasil?
A participação do cooperativismo de crédito em nosso País ainda é muito pequena quando comparada às relevantes presenças do segmento cooperativista de crédito em economias maduras da Europa Ocidental e da América do Norte. Na França e na Alemanha, por exemplo, as cooperativas de crédito participam com 60% e 20%, respectivamente, dos depósitos totais do sistema financeiro.
No Brasil, segundo dados do Banco Central, 1.017 cooperativas de crédito são responsáveis por R$ 90,9 bilhões em saldo de depósitos e 8,9 milhões de associados. Elas estão fisicamente presentes em aproximadamente metade dos municípios brasileiros e representam 3,6% do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, têm a chancela do FGCoop, que é o fundo garantidor que protege depositantes e investidores, contribui com a manutenção da estabilidade do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo e iguala as condições de competitividade com os bancos comerciais.
Inserido nesse contexto, o Sicredi instituição financeira cooperativa com mais de 3,7 milhões de associados em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal tem contribuído para o crescimento sólido e sustentável do cooperativismo de crédito, contando atualmente com 116 cooperativas de crédito filiadas, presentes em 1.187 municípios, sendo que em 204 deles é a única instituição financeira atuante.
Palavras mais que atuais, cooperar e compartilhar são princípios inerentes ao cooperativismo, que têm o poder de transformar nossa sociedade e contribuir para a construção de um futuro melhor, pois ao mesmo tempo em que os objetivos comuns dos associados são alcançados e suas necessidades atendidas, a comunidade é beneficiada com o desenvolvimento local, promovido pela geração de valor econômico, social e ambiental das cooperativas de crédito. Esses conceitos tão contemporâneos, se unem aos investimentos em tecnologia, por meio dos quais as cooperativas de crédito já disponibilizam soluções entre elas contas 100% digitais.
Além disso, os associados têm participação nos resultados da sua cooperativa. O conceito do cooperativismo de crédito é o de crescimento para todos e o associado e literalmente dono do negócio, também colhe benefícios diretos e indiretos.
A cooperativa de crédito tem total interesse na saúde financeira de seus associados e consegue competir no mercado financeiro com taxas e juros mais justos. Tais fatos, ligados aos diferenciais de relacionamento próximo, consultoria customizada, concessão de crédito consciente, entre tantos outros, explicam a inadimplência abaixo da média de mercado registrada no Sicredi, por exemplo, mas também em outros sistemas do segmento.
Finalmente, as cooperativas de crédito são sociedades de pessoas, e não de capital, o que significa que qualquer associado, independentemente do valor que possui em capital social, tem os mesmos direitos e deveres que os demais. Por conta disso, o cooperativismo de crédito é um modelo econômico e social que atua de forma extremamente democrática e inclusiva. Tem algo mais moderno e sustentável que isso?
*Manfred Alfonso Dasenbrock é presidente da SicrediPar, da Central Sicredi PR/SP/RJ e conselheiro do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (World Council of Credit Unions Woccu)
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