Conclamo todos os eleitores favo ráveis ao sim (55) e ao não (88), para acom panharem as se guintes observa ções: os atuais mandatários da nossa tão sofrida, abandonada e esbulhada Londrina, sempre foram contra as privatizações e sempre souberam defender este ponto de vista com muita galhardia. Agora que estão no poder, num passe de mágica, resolvem ser a favor da privatização da Celular, tentando convencer a população, que a nossa empresa, exemplo maior na telefonia brasileira, está com os seus dias contados. Usam, para atingir este objetivo, as mesmas argumentações dos defensores da venda da Copel.

Aqui, como lá, o jogo é pesado, porém nada claro nas explicações que teriam que dar, como, por exemplo, o valor real para a venda da empresa, onde o dinheiro será aplicado e, principalmente, de onde sairá o dinheiro para a manutenção das obras, depois de realizadas. Na tentativa de privatizar a Celular, quase derrubam a lei do plebiscito e, se tivessem conseguido, acabariam, curiosamente, entrando para a história como usurpadores daquilo que mais defenderam em suas vidas: o direito sagrado do voto.

A Celular, neste último ano, apresentou mais de R$ 2 milhões de lucro. Cresceu, independentemente de quanto possa ter crescido a sua concorrente, aproximadamente 68%, passando o número de usuários de 34 mil para mais de 56 mil. No Dia dos Pais, a empresa conseguiu mais de mil usuários novos.

A tecnologia utilizada pela Celular é ainda das melhores, pois a outra, que dizem ser muito mais poderosa (e me parece que financeiramente realmente é) ainda está longe, pelo menos em Londrina, do padrão que a nossa Celular oferece. A Celular é reconhecida pela qualidade e excelência de seus serviços, e tanto é verdade, que já realizou todas as metas exigidas pela Anatel.

Alguns plantam a idéia que se a Celular não for vendida rapidamente como querem, ela será ''engolida'' pela concorrência. Posso dar inúmeros exemplos, dos mais contundentes possíveis, nas mais variadas áreas. demonstrando a fragilidade desta argumentação. Vejamos: a entrada da Global, concorrente direta, não a inviabilizou. A entrada dos grandes supermercados em Londrina não dizimou os supermercados existentes, de menor poder econômico, como também não conseguiu exterminar as nossas tão simpáticas e agradáveis quitandas.

Posso citar ainda exemplos curiosos como o da empresa de refrigerantes Del- Rey, de Minas Gerais, que alcançou recentemente 26% do mercado contra 14% dos refrigerantes da Ambev. Por hora, a empresa só perde para a Coca-Cola (Revista ''Veja'' do último dia 8, página 31). Com competência, o menor pode engolir o maior, ou pelo menos fazê-lo tremer nas bases. A companhia aérea Gol, que mesmo recém-nascida e pequena, tem postura e porte de grande, chegando a balançar as demais companhias. Os exemplos são inúmeros. Quem não lembra que a Prefeitura de Londrina estava ''falida'' há poucos meses e hoje está equilibrada e com dinheiro em caixa? Já imaginaram se tivéssemos vendido a nossa prefeitura?

Quanto ao grande desafio das novas tecnologias com a chegada de 2002 é assunto para especialistas. Vejamos o que eles dizem em relação às tendências de mercado (Fonte: Sercomtel Celular - Análise 2001): ''As tendências de mercado indicam que haverá crescimento significativo do tráfego de telefonia móvel nos próximos anos...'' ''... O governo atua da mesma forma e as empresas, grandes e pequenas, deparam com óbices semelhantes para atingir seus objetivos. O modelo é concentrador. Contudo, as receitas de telefonia celular que hoje estão em torno de R$ 1 bilhão, chegarão a R$ 35 bilhões em 2005.'' ''Assumindo que a Sercomtel Celular já possui a infra-estrutura, os orçamentos atuais sinalizam a possibilidade de instalar um novo sistema (nesse caso o GMS-GPRS na faixa de 850 MHz ou 1,9 GHz) ao custo de R$ 15 milhões e um custo adicional de marketing/aparelhos na faixa de R$ 2 milhões. Considerando-se que a migração para o SPM (expansão da radiofrequencias) custará R$ 1.043.475,00, teremos um total aproximado de R$ 18 milhões, distribuídos num período de dois anos. Como a empresa investe normalmente em engenharia um volume anual de R$ 5 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões em melhorias, significa que já existe um volume de R$ 2 milhões a cada dois anos em novas tecnologias. Este volume de investimento já representa 39% do volume do investimento necessário.''

Sou favorável às privatizações quando bem conduzidas. No caso da Celular sou contra, por não estar convencido da sua ''morte súbita'' diante da concorrência e também pela maneira inadequada da atual proposta, se é que existe.



- SEVERO DE RUDIN CANZIANI FILHO é médico, empresário, ex-governador de Rotary e conselheiro da ACIL

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