Não: é uma empresa que pode competir
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) conclama os quase 300 mil londrinenses a participar do plebiscito do próximo 19, que vai decidir o futuro da Sercomtel Celular. Participar do plebiscito, vitória do povo da qual o PCdoB esteve presente, significa o fortalecimento da democracia e da participação popular nas decisões de um governo. Que bom se este exemplo de Londrina virasse moda em nosso País, que tanto sofre com os abusos e desmandos de governantes autoritários, como Lerner e FHC.
Além de participar, é fundamental votar no número 88 dizer não à privatização da Sercomtel Celular. E por quê? Porque ao contrário do que apregoam os defensores da venda, a empresa tem condições de competir no mercado. A Sercomtel é reconhecida pela sua competência técnica. Mesmo concorrendo com a multinacional Global Telecom desde 98, a Sercomtel Celular detém mais de 60% deste mercado de Londrina e Tamarana e seu lucro tem sido maior no decorrer dos anos. Em 2000, foi 166% maior que em 99.
A grande vantagem da empresa londrinense com as concorrentes é a marca, a credibilidade e o reconhecimento do consumidor local pela qualidade do serviço. O londrinense está acostumado a ter um serviço de alto nível na telefonia e todo mundo sabe que as empresas privadas multinacionais prestam um serviço de qualidade duvidosa, além de ter como o objetivo o lucro, o que faz com que as tarifas tenham altos valores. Para atestar essa afirmação, é só conferir as listagens dos Procons no Brasil inteiro, onde as empresas telefônicas lideram as reclamações dos consumidores.
Segundo professores da UEL, doutores na área de telecomunicações, a Celular já opera no sistema Time Division Multiple Access (TDMA) que permite até três usuários falando numa mesma frequência. Isso significa que a empresa que comprá-la, em caso de privatização, só vem para administrar e lucrar, pois vai continuar operando no mesmo sistema, que já é avançado.
É fato que as multinacionais que concorrerem aqui terão a vantagem na compra de aparelhos mais baratos e no custo mais reduzido nas ligações interurbanas celular-celular. Porém, a Sercomtel Celular terá a vantagem de um menor custo operacional em função de dividir instalações com a Sercomtel S.A. (telefonia fixa). Também terá um custo reduzido nas ligações celular-fixo locais, que formam a maioria das ligações em Londrina. Essa sinergia comercial entre as partes fixa e celular é a principal vantagem competitiva da Sercomtel Celular. É por isso que vender a empresa em vez de ajudar, pode atrapalhar a Sercomtel Fixa.
Defender a Sercomtel Celular é defender uma empresa londrinense que tem seus lucros reinvestidos na cidade, gerando dividendos para o município. A Sercomtel arrecada mais de R$ 10 milhões por mês. Se for privatizada, tudo isso irá parar nas mãos de grandes companhias multinacionais, que querem extrair todo o lucro que tiverem aqui para remetê-lo para outros países, prejudicando o município e o País.
Outro aspecto que gostaríamos de chamar a atenção, e que não tem sido comentado pela imprensa, as autoridades e os políticos, é o desemprego, que é a marca das privatizações no mundo inteiro. Como comparação, vale citar o exemplo da Ceterp, empresa de telefonia municipal de Ribeirão Preto, que teve mais de 90% do seu quadro de trabalhadores demitidos, após ter sido vendida em 99 para a Telefonica.
Isso pode acontecer em Londrina, já que não existe nenhuma garantia para os trabalhadores da Celular. A telefonia é um dos serviços públicos mais importantes para o desenvolvimento econômico e seu acesso é uma necessidade para o exercício da cidadania no mundo moderno. Inclusive, segundo o relatório preparado pelos técnicos da Sercomtel a pedido do Executivo municipal, o mercado de celular passa a atender nos próximos meses, principalmente, os ramos de serviço (pedreiro, carpinteiro, mototaxista) e as chamadas classes C, D e E.
Isto exige de uma empresa de telefonia o cumprimento de sua função social. Somente uma empresa pública eficaz e sensível a essas demandas, como a Sercomtel Celular, pode cumprir.
Os comunistas alertam para o momento ruim de propor a venda de uma empresa pública, já que o povo no País inteiro se posiciona contra as privatizações, por todas as desgraças que elas trouxeram. Segundo pesquisa do Ibope, publicada pela revista Veja em 4 de julho, 78% do povo brasileiro diz que o Brasil precisa de maior presença do Estado na economia e 49% acham que o governo deve estatizar as empresas particulares de determinados setores estratégicos.
O PCdoB convoca todos para votar no 88, para que a Sercomtel fique nas mãos do município e transformar a empresa no baluarte da luta contra o desmonte do Estado e o neoliberalismo.
- SINIVAL OSÓRIO PITAGUARI é presidente do PCdoB em Londrina, economista e professor universitário





