Durante muito tempo, os mercados em todo o mundo apostaram na globalização, com crescente queda de barreiras comerciais entre os países. O Brasil caminhou mais devagar nessa direção e ainda é considerado uma economia fechada. O governo parece empenhado em acelerar esse processo, mas corre o risco de chegar na contramão.

É que a comunidade internacional, principalmente os Estados Unidos, está fazendo o caminho inverso. Reportagem do jornal New York Times dessa segunda-feira (2) mostra que, desde domingo, os norte-americanos mantêm as tarifas mais altas cobradas da China em pelo menos 60 anos. Um novo pacote de 15% para determinados produtos entrou em vigor e levou a uma taxação média de 21,2%. Só para se ter uma ideia, quando o presidente Donald Trump chegou à Casa Branca, há quase três anos, a tarifa média sobre os produtos do gigante asiático era de apenas 3,1%.

Os chineses passaram do primeiro lugar da lista dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos para a terceira posição, atrás de México e Canadá.

A guerra comercial começa a mostrar seus efeitos na economia norte-americana, prejudicando principalmente a indústria que depende de insumos vindo da Ásia.

O Brasil pode até ganhar pontualmente com essa situação, ocupando parte do espaço dos chineses nas importações dos Estados Unidos. Mas o resultado da disputa, caso persita, pode ser desastroso para a economia do mundo inteiro.

Segundo relatório da OMC (Organização Mundial do Comércio) divulgado nesta segunda-feira (2), o protecionismo extrapolou as duas maiores economias mundiais, tendo aumentado como um todo no grupo das 20 nações mais industrializadas, o G20. O período de análise foi de 16 de outubro de 2018 a 15 de maio de 2019.

De acordo com o documento, as medidas protecionistas são estimadas em US$ 339,5 bilhões - 44% acima da média desde outubro de 2012, quando o relatório começou a incluir dados de cobertura comercial.

A ironia é que, de acordo com a OMC, o Brasil foi responsável por 30% das 47 medidas de abertura comercial. Já Estados Unidos e a União Europeia só adotaram barreiras.

Resta torcer para que o nacionalismo fora de hora adotado pelos EUA seja uma medida eleitoral do presidente Trump, que disputa a reeleição em outubro do próximo ano. E que os norte-americanos voltem a abrir o comércio aos chineses, garantindo a expansão da economia internacional. Será bom para todo o mundo. Principalmente para o Brasil, que precisa voltar a crescer em ritmo mais acelerado.

É um imenso orgulho tê-lo como nosso leitor.

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