Não: devemos agir com coragem e ousadia
Ao contrário do que propagam os favoráveis à venda da Sercomtel Celular, os argu mentos para manter a em presa como pa trimônio público não são emocionais. Não à venda significa sim à competência e à aplicação de leis e regras que nos permitam conviver com os poderosos do setor. O que se espera do Poder Público em relação a uma empresa estatal que é competitiva, tem licença para atuar no mercado até 2008 e não visa apenas ao lucro é prestar bons serviços a preço justo!
A proposta defendida pela prefeitura não é apenas vender a Sercomtel Celular. Este é o primeiro passo para a venda também da telefonia fixa e para a perda imediata de receita da ASK (companhia de ''call center''), da Internet by Sercomtel e da empresa de tevê por assinatura.
Hoje, investimentos em marketing, tecnologia, estrutura funcional e física são compartilhados entre as empresas do Grupo Sercomtel Telecomunicações. E certamente o bom desempenho da Celular tem contribuído para o equilíbrio das contas do grupo.
Afinal, uma das âncoras da empresa Sercomtel Telecomunicações é a Sercomtel Celular, que figura entre as quatro melhores empresas do Brasil em excelência empresarial, está em sétimo lugar entre as maiores empresas estatais, apresentou crescimento da receita operacional bruta no ano passado de 6,7% e está entre aquelas com menos dívidas a pagar. Os dados estão na revista ''Info Exame'' deste mês, que apresenta um balanço do desempenho das estatais brasileiras no ano passado. Portanto, vender a Sercomtel Celular significa aumentar a despesa das demais empresas do grupo, correndo-se o risco inclusive de inviabilizá-las.
Com a abertura do mercado de telecomunicações no ano que vem, a Sercomtel deverá em 2002 por orientação da sua própria assessoria jurídica migrar para o serviço móvel pessoal e poderá explorar a telefonia móvel em outras cidades. A diferença é que os usuários escolherão livremente a operadora de longa distância nacional e internacional. Por isso, a empresa londrinense não terá receita líquida e certa com as ligações, perda que aliás deverá ser compensada pela ampliação na sua capacidade de atuação. É assim que agem os outros grupos.
A concorrência dizem é a alma do negócio. Embora as nossas concorrentes tenham um grande mercado para ser explorado, mostrem-se vigorosas na aplicação de recursos na mídia, anunciem avanços tecnológicos e ameacem com grandes investimentos, enfrentam as mesmas leis do mercado. Tanto isso é verdade que, depois de tanto investimento da concorrência na área de telefonia celular, a Celular detém 60% deste mercado.
Portanto, competitividade é, na minha avaliação, o que mais a empresa demonstrou em todos estes anos. Investiu em tecnologia, cresceu transformando uma pequena empresa num grupo forte na área de telecomunicações.
A concorrência nos obrigará a ser ainda melhores, sem perder de vista que, como empresa pública, o resultado será sempre em benefício da população de Londrina. O dinheiro para investimento terá que vir do próprio negócio. Ou será que a empresa interessada em comprar a Celular não agirá da mesma forma? Promoções, investimentos e liquidações têm limites mesmo para aqueles que anunciam bilhões no setor. Nenhum empresário joga dinheiro pelo ralo. Se a concorrência pode assumir riscos, nós podemos fazer o mesmo.
Isto porque, embora o serviço móvel celular seja hoje a grande vedete das telecomunicações, o mercado de transmissão de dados corporativos, já é considerado o mais rentável pelas operadoras. E o Sercomtel Telecomunicações o grupo poderá avançar nesta área, e deve avançar coeso e unido.
Assim, não é possível aceitar o argumento de que deveremos vender a Celular para fugir de um futuro prejuízo (por enquanto a empresa dá lucro) e dizendo que o resultado econômico da venda será usado em obras para a cidade. Por que não fazemos obras com o lucro da empresa?
Por que não investirmos na Sercomtel Celular para termos receita constante, que possa alavancar outros investimentos na cidade? Vender a Sercomtel Celular não é garantia de que o prejuízo não ocorrerá. Quanto vale a empresa? Ainda não temos esta preciosa informação.
Não devemos temer o futuro. Devemos agir com coragem e ousadia! Caso houvesse vontade política, o objetivo deveria ser investir na Sercomtel Celular, buscando inclusive recursos subsidiados como o que foi feito recentemente para informatizar a prefeitura. Por isso, no dia 19 devemos dizer não à venda da Celular e exigir ações de investimento na empresa!
- ELZA CORREIA é vereadora pelo PMDB em Londrina





