Curitiba A tecnologia trouxe uma série de vantagens para as pessoas que lutam contra o tempo no mundo moderno. Um dos grandes avanços, por exemplo, foi a implantação dos caixas automáticos de auto-atendimento, usados hoje por todas as agências bancárias. Mas, ao mesmo tempo em que a informatização se traduziu em benefício para usuários, trouxe para os aproveitadores uma gama enorme de possibilidades para aplicar golpes.
A ação de golpistas junto a caixas eletrônicos de bancos está entre as ocorrências mais comuns registradas pela Delegacia de Estelionatos e Roubo de Cargas, em Curitiba. Golpistas desenvolveram uma série de táticas para desfalcar contas correntes de pessoas de bem. ''São situações que não podemos combater porque não temos como fugir da modernidade'', informa o delegado Cícero José, concordando que a automatização abriu novas oportunidades para ação dos estelionatários.
Um dos golpes mais usuais é o do cartão preso na máquina. Normalmente acontece nos finais de semana e à noite. Quando a vítima coloca seu cartão magnético no caixa eletrônico, o mesmo fica preso. Os golpistas têm a astúcia de estragar o telefone do caixa e é nesse momento que aparece um suposto cliente. Cheio das boas intenções ele empresta seu telefone celular e orienta a pessoa a pedir o cancelamento de seu cartão, informando, inclusive, o número para o qual deve ligar. Fazendo-se passar por funcionário, o golpista do outro lado da linha pede os dados pessoais e senha da vítima para cancelar o cartão. Segura que tomou todas as providências necessárias, a vítima vai embora deixando o cartão preso. É a hora dos bandidos fazerem a festa.
O golpe do falso funcionário, segundo o delegado, também tem feito uma série de vítimas em Curitiba. O estelionatário passa-se por funcionário da agência bancária e se oferece para ajudar, principalmente, pessoas idosas que têm dificuldade para operar as máquinas. Ao dar as instruções de como usar o equipamento, o golpista fica atento ao número da senha. Com muita habilidade, ele dá um jeito de trocar o cartão. A vítima normalmente não percebe e vai embora.
Essas são as maneiras mais comuns dos aproveitadores aplicarem golpes contra usuários de caixas de bancos. Mas os golpistas estão sempre criando novas táticas de abordagem. Por isso, a principal recomendação do delegado Cícero José é de que as pessoas evitem o máximo fazer movimentações financeiras no caixa automático, principalmente fora do horário de expediente bancário.
O que os bancos aconselham aos correntistas é que jamais aceitem ajuda de estranhos. Em caso de retenção do cartão no caixa automático, aperte as teclas ''anula'' ou ''cancela'' e comunique-se imediatamente com o banco. Tente utilizar o telefone da cabine para comunicar o fato. Se ele não estiver funcionando, pode tratar-se de tentativa de golpe. Nesses casos, nunca aceite ajuda de desconhecidos, mesmo que digam trabalhar para o banco, nem digite senha alguma, na máquina ou aparelho telefônico de terceiros.
A Polícia Civil não tem um levantamento das ocorrências registradas em Curitiba envolvendo golpes de estelionato. A assessoria de imprensa justificou que as delegacias ainda estão sendo informatizadas e, por isso, os dados ainda não são centralizados.

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