Não brincadeira mas terrorismo
Não têm outra denominação senão terrorismo os alarmas sobre artefatos explosivos supostamente colocados em edifícios, como ocorreu duas vezes em Londrina nesta semana, primeiro num shopping da rua Sergipe e ontem no prédio onde estão instalados os setores administrativo, gráfico, editorial e de marketing da Folha de Londrina. Neste segundo caso, o aviso foi dado à Central de Atendimento do Jornal. No primeiro, que ocorreu segunda-feira, uma caixa foi encontrada, sem explosivo, e no da Folha nada foi localizado. Mas tal não invalida a presença da ação terrorista. Pessoas que se prestam a esses atos a introdução de um pacote suspeito, mesmo que nada contendo, ou um simples aviso como o relacionado à FL são agentes terroristas, nada diferenciando-se dos que cometem os clássicos atentados com explosões e mortes. Porque não se pode medir as consequencias de tais alarmas, que resultem reais ou sejam apenas trotes. Ontem, seis viaturas e um contingente policial foram mobilizados, incluindo uma equipe anti-bomba para vistoriar as instalações desta empresa e outros locais do edifício. Provocou-se uma evacuação do pessoal desta empresa que no momento se encontrava em serviço (250 pessoas) e mais moradores dos 80 apartamentos e lojas do edifício, entre eles pessoas em cadeiras de rodas. Uma operação que implicou em duas horas de varredura, em exposição de pessoas e policiais a risco, porque até comprovação em contrário havia uma real ameaça de existência de bomba, em momentos de tensão e em concentração de efetivos, com o desguarnecimento policial em outras áreas. Como seria imprudência ignorar esses avisos alarmantes, por não saber-se até que ponto são falsos ou verdadeiros, a polícia tem de agir, porque esta é também sua função. Mas tais fatos servem para o alerta de que, se existem pessoas de conduta doentia capazes de semear tal tipo de terrorismo, elas podem converter uma brincadeira desse gênero em realidade. Há semelhança entre esses dois casos patológicos, porque quem não mede as consequências de um alarme falso também não se importaria com o pior. Não há como dissociar esses desvios, por mais que se banalize os fatos como ''brincadeira de mau gosto'' ou ''coisa de desocupados''. Melhor se fosse apenas isso. Não há razão para pânico ante tais acontecimentos, mas também não se pode minimizá-los e negligenciar quando alarmas desse gênero ocorrem, e nos casos de situação suspeita.





