Pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) aponta que os pais não só estão cada vez mais se envolvendo com o processo pré-natal das mulheres como sentem prazer nesse convívio.

Ana Karina Anduchuka é assistente social e coordenadora de curso para gestantes da Unimed em Londrina. Nesta entrevista ela fala como o comportamento do homem frente a gestação vem mudando e qual a importância disso.

Está aumentando realmente a presença dos homens no pré-natal? Qual a razão?
Nosso grupo surgiu em 2004 e a cada ano cresce o número de pais. O principal motivo para isso é a mulher no mercado de trabalho. O perfil da nossa gestante é de mulheres um pouco mais velhas, com idade entre 25 e 35 anos. Elas optam por estudar, trabalhar, fazer um curso de pós-graduação e precisam do apoio do marido durante a gestação e, principalmente, depois do nascimento do bebê. Por ela saber que vai precisar de apoio, esse pai já começa a se envolver desde o período de gestação. Ele participa das consultas no pré-natal, acompanha a gestante no consultório, quer ver o ultra-som, como está o bebê dentro da barriga da mãe.

Qual a consequência dessa relação?
Aumenta muito o vínculo entre pai e criança. Não é mais aquele modelo antigo que pergunta se a mãe deu comida, mandou a criança para a escola. Ele está atuando junto. Alimenta, troca fralda, dá banho. Vemos que essa participação do homem com os cuidados básicos fortalece muito a família. O pai precisa se envolver nesse processo, porque a mulher não consegue fazer tudo sozinha.

Eles participam porque querem ou porque as mulheres pedem?
Elas querem bastante que eles participem. Tem a vontade deles também. Acho que vai de cada casal, mas é bem variado.

O que as mulheres dizem sobre o assunto?
Elas gostam muito que os pais venham para a reunião. Tivemos que transferir as reuniões de sala porque não cabiam todos devido à participação dos pais. Pela minha avaliação, é importante para elas que os maridos entendam o que está acontecendo. Também é importante elas entenderem que os pais ficam sensíveis, principalmente quando é o primeiro filho. Ele não sente o bebê na barriga, mas está preocupado também.

Qual a expectativa do pai? A pesquisa aponta que ele muda o foco do provedor...
Essa preocupação continua, pois é um pensamento cultural que o homem é o provedor. Acho que ainda leva alguns anos para mudar esse sentido. Mas pela própria rotina de vida moderna, eles têm que ocupar um espaço que não ocupavam antes. Há essa coisa de ser provedor, de cuidar da família, mas cresce a preocupação de ser mais atuante, de buscar no berçário, de acordar à noite. Eles estão entendendo e participando de forma mais ativa desses cuidados com o bebê.

São sempre pais de primeira viagem?
A maioria é pai de primeira viagem, mas temos casais com outros filhos e mesmo assim vieram fazer o curso.

O que muda na gestação de uma mulher que pode contar com o companheiro?
É muito importante para a mulher, pois ela sente aumentar o vínculo entre pai e bebê, ela sente o apoio, sente que ele consegue ocupar a função de marido e de pai. É mais uma pessoa para a rede de apoio.

Na sua experiência, como será o vínculo dessa criança com o pai?
Vai ser muito proveitoso. É muito mais comum hoje vermos o pai levando o bebê ao pediatra, reunião de escola. Só tem a acrescentar na vida dessa criança. Quantas crianças não sofrem com problemas de pai ausente, pai que só dá mesada? A criança vai ter uma ótima referência por poder contar com o pai e com a mãe. Se a criança só é criada pela mãe, dificilmente quando precisar ela vai ficar com o pai. Dessa forma, os vínculos só se fortalecem e a família só tem a ganhar.

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