Não é a Organização das Nações Unidas que toma decisões importantes para eventual solução de conflitos como o de Israel e Líbano, mas os Estados Unidos. Que falam pela voz da secretária Condoleezza Rice. Viu-se isto agora, na conferência de Roma para tratar da questão, que a continuidade da guerra foi decisão dela. Kofi Annan, secretário-geral da ONU, foi apenas um figurante, embora titular do organismo que se pressupõe o verdadeiro representante das nações do mundo. De começo, um erro estratégico é situar a sede das Nações Unidas em território americano, especificamente Nova York, e não eventualmente num país neutro e pacifista, Brasil entre eles. De há muito se sabe que a ONU não tem grandes poderes, embora disponha das forças de segurança que, como notoriamente se sabe, agem como e quando os EUA desejarem. Nada de relevante foi decidido em Roma, porque a secretária Condoleezza por atribuição a porta-voz da Casa Branca e do Pentágono vetou a exigência de um imediato cessar-fogo naquela zona conflagrada. E por quê? Porque o plano é ir dando sequência a essa guerra até neutralizar militarmente o Hezbollah, que no dizer dos israelenses é uma facção terrorista, mas no entendimento islâmico é um grupo político que defende o povo libanês. Condoleezza paralisou o encontro por duas horas, ao se opor ao esboço de uma declaração propondo o cessar da hostilidade entre as duas frentes e tão antiga quanto os tempos bíblicos. E o que ela decidiu, afinal prevaleceu. Foi a prevalência da posição americana, embora o apelo salvador de aparências para a busca da paz. Estava presente o que deveria ser o presidente mundial o secretário das Nações Unidas mas Kofi Annan sabe que não tem poder diante do que delibera a poderosa nação do topo do mundo. Também estavam ali ministros de Relações Exteriores de 14 países, o primeiro-ministro libanês Fouad Siniora e representantes da União Européia e do Banco Mundial, mas a única voz que falou alto foi a da secretária americana. Os EUA não têm pressa em parar essa guerra. O argumento de Condoleezza foi de que propostas de cessar-fogo foram adotadas outras vezes mas não cumpridas. Então, pelo que se deduz dessa posição, melhor é continuar o morticínio, que já fez mais de meio milhão de mortos, entre eles civis, de todas as idades. Mas a razão da secretária (leia-se a razão dos Estados Unidos) não é esta e sim a manutenção da luta visando desestabilizar o Hezbollah. E mais que isso manter a salvaguarda de seu país aliado, Israel, e salvaguardar também a indústria da guerra, que dinamiza pesados segmentos da economia americana, mais a defesa de interesses de grupos estadunidenses, de descendência judaica, que administram gigantes corporações e detêm grandes negócios, como a indústria do aço e dos armamentos. Tudo isso formando um forte poder político e estratégico.

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