Não a lei do mercado mas da especulação
A inflação ocorre não por uma razão circunstancial justificada mas porque a humanidade a produz. Se o fenômeno que agora ocorre é mundial, isto significa que a ganância é igual em toda a parte. Porque, se tem ocorrido no mundo um aumento da renda e as pessoas passaram a consumir mais alimento, não há necessidade de elevar os preços por isso. Até porque não está havendo escassez de produtos alimentícios. E mesmo que houvesse, especular é uma forma de chantagem. Se a maior procura - ainda que haja oferta proporcional - é uma denominada lei de mercado, o mais adequado é dar a isso o nome de lei da especulação.
Alguns argumentos são apontados para a alta, sobretudo dos alimentos, que impulsionou outros produtos e serviços para cima. Um deles o crescente uso da terra para produzir biocombustíveis. Esta é uma razão equivocada, porque há excesso de produção alimentar no mundo e terra suficiente (em grande número de países) para destinar os extratos da lavoura às duas coisas. A elevação de preços, uma espiral que move também o custo dos serviços, tem origem no oportunismo. Não é porque há mais demanda por um produto ou um serviço que os preços têm de subir. Isto não faz sentido, porque não há uma lei que determine tirar proveito disso e tanger o consumidor ou o usuário. Se algumas regiões do mundo produzem determinado item mais que outras, no conjunto há hoje possibilidade de abastecimento pleno para todas, isto só dependendo do poder de compra. Mesmo com aumento da população mundial e o estreitamento da extensão das terras, pelo crescimento físico dos núcleos urbanos, a tecnologia no campo tem aumentado o volume das safras. Também há suficiente produção de bens duráveis, estes excedendo a procura. No entanto, tudo sobe. O trabalho de um sapateiro é o mesmo, mas leu-se nos jornais que nesse item houve um aumento de 20%. Isto para citar um pequeno serviço, porque a disparada dos preços para cima atinge alimentos, combustíveis, maquinaria, todos os demais produtos e os serviços.
Nesse embalo, retornam os indícios de greves de trabalhadores, que já estão reclamando reajuste salarial. Uma coisa puxando a outra, numa reação em cadeia que pode chegar ao descontrole. Os produtores rurais parecem eufóricos e entendem que frear a alta dos alimentos é uma forma de intervenção governamental contra eles.
Tudo sobe ao sabor da especulação, e assim foi também com o petróleo, considerado o condutor histórico das muitas altas de preços de todos os demais produtos - porque transportados por veículos movidos a combustível. Mas sabe-se que também o petróleo é vilão, pela voracidade dos grandes blocos produtores. Mas agora são os alimentos os ''culpados'', apenas porque a humanidade veio conquistando o poder de comer mais e melhor. Parece que há os que não desejam isso. Porque ao subir preços sem necessidade, a limitação do consumo poderá retornar.





