Nada a temer
A situação de insegurança em que a nação vive, sobretudo depois da elevação da taxa básica de juros, não pode ser atribuída ao processo eleitoral, nem ao resultado do primeiro turno para a eleição presidencial e nem às pesquisas que apontam para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A crise que se vive nestes dias é o resultado de políticas equivocadas do governo que já vêm de oito anos e que contemplaram a especulação financeira em detrimento de projetos de desenvolvimento econômico. Nesse período, o governo de Fernando Henrique Cardoso nunca se preocupou com a questão dos juros, mas ao contrário, favoreceu as taxas altas, por conta de uma obcecada política de contenção inflacionária e de desestímulo à atividade produtiva, o que, se em sentido contrário, daria suporte ao consumismo sustentável e persistente.
O próximo ocupante do trono presidencial que ao que tudo indica será mesmo o candidato petista encontrará a casa em desordem e precisará de tempo e de muita coragem e competência para fazer os reparos necessários e reacender o ânimo nacional. Lula tem declarado que o presidente FHC não conhece o Brasil que governa e nunca ouviu as lideranças regionais e nem soube dialogar com a classe política. Tal é verdadeiro, porque nunca se viu isso acontecer e nunca se soube que, alguma vez, o Presidente desceu às bases para conhecer a realidade deste imenso Brasil. Também nunca foi um bom ouvinte, antes o contrário, um governante teimoso e individualista.
Se o novo chefe do governo reverter esse comportamento, já dará um grande passo na tarefa de recolocar o País nos trilhos, porque esta não é missão para um homem apenas mesmo que ele seja o supremo mandatário da República mas para todos os brasileiros, destacadamente aqueles com maior experiência, que ocupam posições influentes em empresas e instituições, e as lideranças políticas, que precisarão lhe dar respaldo no Congresso Nacional. Idéias de temor não devem prevalecer, porque tal clima já se está vivendo. Ao menos a perspectiva de mudança de comando e de políticas, já constitui um alento, porque nada há neste País que ofereça risco aos brasileiros, a não ser, eventualmente, aos especuladores.





