O número foi destaque ontem nesta FOLHA: 506 mil pessoas com mais de 15 anos são analfabetas no Paraná. Seria como se todos os moradores de Londrina não soubessem ler nem escrever, de acordo com dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números estão melhores do que na pesquisa anterior, feita em 2000, mas não convida a comemorações por parte dos responsáveis pela educação.
No Brasil também se repete o alto número. Aproximadamente 14 milhões de brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos. A desigualdade de oportunidades está refletida na cor da pele: 30% dos analfabetos se declararam brancos e 70% se reconhecem como afrodescendentes ou pardos. São cidadãos que ficam à margem da sociedade, dependentes de outras pessoas para usufruírem de direitos básicos.
Diversos programas de alfabetização de jovens e adultos são mantidos por prefeituras, estados e União, mas não conseguem promover uma redução significativa nesses índices que tanto envergonha o País. Prova disso está no Relatório de Monitoramento Global de 2011, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
De acordo com o documento, os 164 países - incluindo o Brasil - que assumiram o compromisso de melhorar a qualidade da educação no mundo até 2015 estão ''longe'' de cumprir a meta.
São seis os objetivos: ampliar a educação para a primeira infância, universalizar o acesso à educação básica, garantir o atendimento de jovens em programas de aprendizagem, reduzir em 50% as taxa de analfabetismo, eliminar as disparidades de gênero no acesso ao ensino e melhorar a qualidade da educação.
A educação no Brasil está longe de receber a atenção que merece. Nações que hoje são exemplo de crescimento econômico e de qualidade de vida investem pesado nesta área. Por aqui, o que deveria ser encarado como investimento é visto como despesa. Talvez, esse fato se explique pelo medo que alguns políticos têm de perder o poder sobre a população sem acesso à informação.
É preciso mudar essa situação, pois o desenvolvimento do país também depende do grau de escolaridade da população.

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